Dia 15 de outubro é o Blog Action Day, uma ação promovida entre blogueiros do mundo inteiro na qual todos escrevem sobre um determinado assunto. Neste ano, a pauta são as mudanças climáticas e aqui deixo minha colaboração. Faço uma breve reflexão sobre os motivos de continuarmos caminhando rumo à beira do abismo, mesmo com cada vez mais campanhas pró-meio ambiente e todo o espaço na mídia que tem sido dedicado ao assunto. Foco-me em dois pontos: transportes – por que insistimos na sustentabilidade de dentro de nossos carros, presos no engarrafamento? – e alimentação – por que não repensamos nossos hábitos alimentares? Boa parte do desmatamento da Amazônia ocorre para que exista mais espaço para a criação de gado. Este último ficará para um segundo post.
O assunto “mudanças climáticas” já está meio batido, na moda. Todos falam sobre aquecimento global e até uma das maiores redes de supermercados do mundo, a Wal*Mart, distribui aqui no Brasil suas sacolinhas ecológicas. Sinal de que os tempos estão mudando, mas a pergunta de sempre permanece: o quão a sério a sociedade está levando esse assunto? Ao dar uma olhada em volta, vejo que não muito.
Não sei se é algo exclusivo da cultura brasileira, onde que quem prega determinado pensamento nem sempre o cumpre à risca. Hipocrisia sim, mas creio que todos temos um pouco disso. Viajando um pouco sobre o assunto ‘verde’, na qual grandes potências do mundo capitalista baseiam suas propagandas para venderem seus produtos “ecologicamente corretos”, é onde percebo a maior picaretagem de todas.
Vou pegar o exemplo do carro elétrico, visto por muitos como um messias que está chegando para nos salvar do apocalipse. Um automóvel desses, concluído, pode não gerar diretamente toda a poluição que um carro convencional emite, mas indiretamente, é tão poluidor quanto… se não mais. No Brasil, a maior parte da energia elétrica é proveniente de usinas hidrelétricas. Muitos podem pensar que esta é uma forma de geração limpa de energia, pois seu recurso – água – é praticamente ilimitado e tudo o que tem que ser feito é utilizar sua força para girar algumas turbinas. Mas um estudo recente mostra que hidrelétricas podem ser mais poluentes do que as termelétricas. Depois ainda temos tudo o que envolve a construção de um carro elétrico, um processo poluente sem sombra de dúvidas. Em poucas palavras, um carro só será verde se assim for pintado.
Há também todas aquelas parafernálias que utilizamos no dia-a-dia, tudo o que é descartável e desnecessário para a vida. Num mundo onde a população cresce aos bilhões, o correto seria que dispensássemos tudo o que não é essencial à vida: computadores pessoais, telefones celulares, aparelhos de TV, mais que uma muda de roupa… Mas se bem conheço o ser-humano (só pra lembrar que não sou um ET), a busca pela sustentabilidade não deve internefir em todos os confortos conquistados por nossa espécie através dos séculos – o caminho mais difícil, devo admitir. Então o que fazer para evitar que as mudanças climáticas em decorrência da mão do homem se agravem ainda mais? Em primeiro lugar, consciência.
Ter consciência da nossa situação já é meio caminho andado. O problema é que não falta consciência para as pessoas, falta vontade. O brasileiro (tanto povo quanto governo) sabe que o uso indiscriminado do automóvel como meio de transporte diário é prejudicial ao meio ambiente e à saúde da população, mas o que é feito sobre isso? No último dia mundial sem carro, evento que ocorre anualmente em 22 de setembro, os engarrafamentos não diminuiram no Brasil. Poucos foram os que tiveram coragem de deixar o carro na garagem e enfrentar o transporte público ou uma caminhada. Embora mais e mais pessoas estejam tomando consciência da nossa situação perante o planeta, nada disso ainda basta para que todos os estragos já cometidos pela raça humana sejam revertidos.
O triste é saber que enquanto a sociedade for dominada pelo mundo capitalista, esse quadro não irá se reverter. Para os poucos que mandam e desmandam nas grandes corporações, o bolso vale mais que o planeta. Termino com aquela famosa frase:
Somente quando for cortada a última árvore, pescado o último peixe, poluído o último rio, é que as pessoas vão perceber que não podem comer dinheiro.
Logo mais, mais uma reflexão sobre o impacto da nossa alimentação no meio ambiente.







