Este blog está descontinuado, embora seu conteúdo permaneça online. Minha nova casa agora é esta: http://volumequatro.wordpress.com. Vejo vocês lá!
maio 7, 2010
maio 6, 2010
Manifestação pelos animais do canil de São Leopoldo
Muito bem. Como já havia falado no texto anterior, acho realmente uma pena que não tenhamos compaixão para com nossos semelhantes mas sem deixar de lado a importância que deve ser dada aos animais que vivem em condições precárias em nossas cidades. Assim sendo, divulgo o seguinte convite para uma manifestação que ocorrerá aqui em São Leopoldo no próximo sabado, oito de maio:
Buscando resposta pelo motivo que o canil municipal de São Leopoldo não aceita mais voluntários e de luto pelas condições inadequadas que os animais se encontram, um grupo de pessoas resolveu se unir.
Uma manifestação pacífica será feita no dia 8 de maio, sábado. Toda comunidade está convidada a participar. Pede-se que os participantes usem roupas de cor preta. A concentração será a partir das 9h30, na Praça da Imigração, em frente à Câmara Municipal de São Leopoldo.
O grupo organizador é formado por protetores de animais, e não está vinculado a nenhuma ONG ou partido político.
Todos serão a voz dos animais que não sabem falar, mas clamam por ajuda, além dos tantos que já morreram. Em época de eleição, nossos políticos locais precisam sentir a ameaça popular e realmente tratar o canil municipal como merece.
Os animais nos pediram: funcionários habilitados em tempo integral, inclusive finais de semana e feriados; comida e água limpa todos os dias; acesso a voluntários para brincar, ajudar e auxiliar nas adoções; veterinários amorosos para castrar e tratar doenças; esgoto fechado; casinhas adequadas e limpas diariamente; entre outras tantas necessidades básicas para a vida!
O quê? Manifestação A FAVOR dos animais e CONTRA a forma que estão sendo tratados no Canil Municipal de São Leopoldo.
Quando? 8 de maio de 2010, 9h30.
Onde? Praça do Imigrante.
Então está dado o recado. Apenas para que as pessoas saibam com o que estamos lidando, seguem algumas fotos tiradas há pouco tempo atrás do canil de São Leopoldo. Mas antes me pergunto: por que a prefeitura de São Leopoldo não quer que voluntários cuidem do canil municipal? Especulação: seria porque essas pessoas realmente gostam de animais e não permitiriam que mais verbas fossem desviadas? Nossos administradores que me desculpem, mas que outra explicação pode ser dada para a precaridade mostradas nas seguintes fotos?
maio 5, 2010
Sobre humanos e humanos
Posso dizer que meu amigo João Gabriel é co-autor deste texto, mesmo sem ter ditado uma linha sequer. Foi através de idéias que trocamos que resolvi escrever a respeito deste assunto: por que humanos têm tanta compaixão com outras espécies de animais e não com a sua própria? Não, não quero encontrar uma resposta aqui até porque não sou um pesquisador da mente humana. Gostaria apenas de partilhar minha reflexão.
A crueldade – arrisco dizer – é uma qualidade exclusiva nossa. Pelo menos nunca ouvi falar de outra espécie que maltrata ou mata por prazer ou que o faz conscientemente. Mesmo levantando a bandeira do vegetarianismo, eu não deixaria de matar para comer numa situação de necessidade, como qualquer outra espécie que ocupa o topo da cadeia alimentar. E justamente por termos tal consciência é que, ao contrário dos que maltratam, existem aquelas pessoas que defendem o direito de todos animais a uma vida sem sofrimento. Grupos de defesa dos animais é o que não falta, embora ainda haja muitos em condições precárias. Infelizmente também existem aqueles como a antiga ALPA, de São Leopoldo, onde que os administradores desviavam verbas e deixavam as centenas de gatos e cachorros morrerem de fome e doenças diversas, só que este é um caso em que não irei me aprofundar agora.
O João me levantou uma questão que pôs a cabeça pra funcionar: por que alguns acham lindos os guaipequinhas pulguentos e sarnentos jogados na rua enquanto que, sob os mesmos olhos, mendigos são invisíveis? Não que os animais abandonados não mereçam atenção, longe disso!, mas essa simples questão. Se todos tem direito a uma vida digna, por que “uns são mais iguais que os outros” (George Orwell, d’A Revolução dos Bichos)? Entendo que não haja falta de compaixão e que existem grupos que protegem animais, assim como outros que dão auxílio às pessoas que vivem na rua: cada um com suas preocupações. O problema é que vi essa matéria da BBC Brasil que me deixou muitíssimo indignado e confesso, desanimado perante tanta hipocrisia da nossa raça. Aos que não quiserem ler a reportagem, um breve resumo da própria BBC: “Um mendigo que foi esfaqueado após tentar ajudar uma mulher em uma discussão acabou morrendo na rua, ignorado pelos transeuntes, segundo imagens captadas por câmeras de segurança de um prédio nos arredores.”
Aí tive que dar plena razão ao João. Como é possível existir uma mobilização tão grande pró animais de rua se não somos capazes de pegar o telefone e chamar uma ambulância porque é “só” um mendigo que está agonizando até a morte? Será que nos consideramos tão vilões assim por causa de tudo de ruim que há nesse mundo ao ponto de desejarmos uma lição dessas? Não, mendigos são pessoas invisíveis em qualquer parte do mundo ao passo que gatos e cachorros não são.
Que fique claro que não estou dizendo que esses animais abandonados não mereçam atenção ou que devemos fazer um mutirão para tirar todas as pessoas da miséria. Pessoas miseráveis sempre existiram e sempre existirão e sim, acho certo fazer protestos e tomarmos atitudes para que esses bichos de rua achem um lar e alguém que tome conta deles, mas agora fica a pergunta: por que tanta indiferença ou, se somos todos iguais, por que “uns são mais iguais que outros”?
abril 25, 2010
Mobilidade urbana: desafio MUITO urgente
Tenho um recorte em mãos do Jornal VS na qual um dos vereadores de São Leopoldo, Fernando Henning, exprime sua opinião sobre mobilidade urbana. Uma opinião vista por de trás do pára-brisa. Por meio deste texto, gostaria de cutucar não só o vereador, pois este faz parte de um grupo de pessoas que tem a mobilidade urbana como uma de suas preocupações para a cidade em 2024 (bicentenário da imigração alemã), como também o próprio Jornal VS, que diariamente faz duras críticas aos congestionamentos na BR-116 e, no entanto, exibe diversos anúncios de automóveis em suas páginas. Uma contradição.
Como o próprio Fernando diz em seu texto, em São Leopoldo foram 1212 carros novos em apenas três meses deste ano. Para uma cidade como a nossa, isso é muita coisa e percebo isso bem. Diariamente faço o deslocamento São Leopoldo – Novo Hamburgo para ir ao trabalho, de ônibus. Em horários de pico, um trajeto que até poucos anos atrás poderia ser feito em cerca de 20 minutos, hoje leva uma hora. Concordo completamente com o vereador quando este diz que deve haver um investimento maior no transporte coletivo e no que diz respeito à linhas circulares na cidade, evitando que moradores tenham que vir até o centro para então se deslocarem até outro bairro. Conseqüentemente, isso diminuiria o movimento na região central da cidade. No entanto, vejo São Leopoldo como uma cidade “planejada” exclusivamente para o transporte motorizado. Vide nossas poucas ciclovias por exemplo, que levam do nada ao lugar nenhum.
Quando se pensa em mobilidade, é preciso levar muitos pontos em consideração. Diariamente, arrisco dizer que milhares de pessoas vão para o trabalho de bicicleta em nossa região. É preciso pensar na segurança dessas pessoas: jovens, velhos, pais e mães de família que não são menos que ninguém apenas por preferir um meio de transporte que proporciona maior liberdade e, de quebra, não polui. O status social proporcionado pelo automóvel não deve ser levado em consideração se a intenção for proporcionar melhorias para toda a população. É esta a intenção do vereador?
Recentemente uma das principais avenidas de São Léo, a João Corrêa, foi completamente reestruturada. Suas pistas foram alargadas e as calçadas diminuidas. Não vejo motivo para não ter sido construida uma ciclovia em toda sua extensão, visto que muitos ciclistas trafegam por ali diariamente. Já na Av. Imperatriz Leopoldina existe sim uma ciclovia, que oferece uma pífea segurança à quem por ela trafega. Caso seja necessária uma ultrapassagem (de bicicletas), é preciso esperar até algum cruzamento, onde não existem os blocos de concreto de “proteção”.
Um detalhe no texto do Fernando que me chamou a atenção foi que em nenhum momento ele cita a bicicleta como meio de transporte, justamente numa opinião sobre mobilidade urbana. Não vejo como essa mobilidade possa melhorar apenas considerando trem, automóveis e ônibus. Inclusive achei um absurdo quando ele diz que “a conquista de um carro pelos leopoldenses é um fato positivo, uma melhora na vida das pessoas”. Indago-o: melhora em que ponto, se quanto mais carros tivermos nas ruas maiores serão os congestionamentos? Não há quem não fique estressado em um. Outro ponto que também gostaria de levantar é que simplesmente construindo mais avenidas (ou alargando as já existentes) se consegue uma solução temporária para o problema do tráfego. Logo essas novas vias estarão tomadas pela crescente frota automotiva (1212 carros novos em apenas três meses deste ano). Por outro lado, concordo novamente com o vereador quando ele diz que a climatização dos trens possa ser um atrativo para que as pessoas deixem seus carros em casa.
Quanto ao Jornal VS (e o NH também), fico muito chateado quando vejo notícias e mais notícias sobre os constantes congestionamentos nas rodovias da região ao lado de um anúncio de automóvel. Isso deixa o leitor, no mínimo, confuso. Em certos trechos do meu trajeto de volta a bordo do Centralão, vejo cenas lastimáveis causadas por esses congestionamentos. A mais comum delas são os motoristas que invadem calçadas para ganhar alguns metros de vantagem. Pergunto: de que adianta o jornal criticar furiosamente estes congestionamentos, como que procurando alguém para culpar, se sempre dá razão às montadoras e seus anúncios? Os motoristas nunca estão errados, não há nada de mal em comprar um carro novo e ser mais um a ficar preso ali porque o estado não disponibiliza uma estrutura maior para o transporte individual, não é mesmo? Hipocrisia em sua essência. Mas tudo bem que estes congestionamentos são gerados porque esses carros são ocupados, em sua maioria, por uma única pessoa. Esta é a São Leopoldo que será deixada para as futuras gerações?
Já que o vereador Fernando Henning está planejando uma São Leopoldo melhor para a comemoração dos 200 anos da imigração alemã, convido-o a pegar alguns exemplos sobre mobilidade lá da Alemanha, onde o uso da bicicleta é muito estimulado. E já que em seu texto o Fernando fala também sobre a copa de 2014, que tal pegar mais um exemplo de nossos imigrantes? Parafraseio parte deste texto do Blog de Ecologia Urbana: “Berlim, uma das sedes da Copa do Mundo de Futebol, em 2006, aproveitou o evento para desestimular o uso de carros. Num raio de 3 kms dos estádios, nada entrava senão pedestres e ciclistas . Num raio ainda maior, carros não entravam.” E da mesma forma, desafio o Grupo Editorial Sinos a pensar em mais soluções e não só reclamar dos congestionamentos em seus jornais. Em tempo: soluções reais para a mobilidade ao invés de pensar em apenas num seleto grupo de classe média-alta. A bicicleta é o veículo mais utilizado no mundo.
Aos interessados, digitalizei o texto do Fernando Henning, inclusive o verso do recorte. Ironicamente, ele estampa um anúncio da Sinoscar, revenda de automóveis aqui da região. Frente e o verso.
Veja mais fotos aqui. Se as descrições das fotos não aparecerem, clique no botão Show Info no canto superior direito da tela. E veja só como são as coisas! Eu estava prestes a clicar no botão “Publish” quando vejo no twitter do @bvcicloturista o video abaixo. É uma reportagem do portal G1 sobre a bicicleta como meio de transporte para ir ao trabalho. Embora seja na cidade de São Paulo, a realidade aqui em São Leopoldo é a mesma. Assista!
E um update. Coloco aqui outro video que foi postado nos comentários pelo Olavo Ludwig. O video mostra o desafio do ex-prefeito de Bogotá em tornar a cidade mais humana e menos dependente dos automóveis. Uma frase que gostei muito é que o estacionamento de automóveis não é um problema público. Vale a pena assistir também.
abril 14, 2010
José Serra para presidente!
Quem abandona o cargo 2 vezes, não está na vida pública para prestar serviço ao povo.
ESPALHE!
Projeto MusiCâmara 2010 – Abril
Duo Bandeirante faz estréia nacional no MusiCâmara com o recital “Descobrindo a Música Brasileira para Flauta e Violão”
A edição de abril do Projeto Musicâmara vai marcar a estréia nacional do Duo Bandeirante, formado pelo violonista Álvaro Henrique e pelo flautista André Sínico.
O recital de estréia será apresentado no dia 16 de abril, às 19h30min, com entrada franca, na Igreja do relógio, Av. Osvaldo Aranha, 450, centro de São Leopoldo.
No programa “Descobrindo a Música Brasileira para Flauta e Violão”, o Duo Bandeirante apresenta obras de compositores brasileiros (Gnatalli, Vasconcelos-Corrêa, Souza Lima, Chnee, Oliveira, Tacuchian e Villa-Lobos). Várias dessas obras foram apresentadas em raras ocasiões, e cada música traz uma visão peculiar do que chamamos de “brasilidade”.
Duo Bandeirante
Formado pelo flautista paulista Andre Sinico e pelo violonista brasiliense Álvaro Henrique, a proposta artística do Duo Bandeirante é explorar e desbravar novos caminhos na música erudita brasileira escrita para estes dois instrumentos tão brasileiros: a flauta e o violão.
PROGRAMA
Radamés Gnatalli – Sonatina (1959) para flauta e violão
- Cantando com simplicidade
- Adágio
- Movido
Louis Moreau Gottschalk – Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro
(arr. Alvaro Henrique)
João Dias Carrasqueira – “Ausência” (1974) para flauta e violão
Heitor Villa-Lobos – Distribuição das Flores (1932) para flauta e violão
Rafael Vanazzi – Suite Brasileira para flauta solo*
- Janela
Sergio Igor Chnee – Sonata (1997) para flauta e violão*
- Allegretto
- Adagio
- Vivace
*primeira audição mundial
Andre Sinico, flauta
Álvaro Henrique, violão
Andre Sinico, flauta
O flautista paulista Andre Sinico é Bacharel em Música – Flauta pela Universidade Estadual de Campinas, onde estudou sob a orientação de Sávio Araújo, e com Marcos Kiehl em São Paulo. E licenciado em Música para o Ensino Profissional pela Universidade Catolica de Brasilia.
Por dois anos consecutivos foi Professor de Música de Câmara na Escola de Música de Brasília, onde seus alunos foram premiados no Concurso de Música de Câmara “Luiz Gonzaga Carneiro”. Bem como o Duo Brasiliano, de flauta e piano, que esteve sob sua orientação quando selecionado por unanimidade para representar Brasília na fase final do Concurso “Furnas Geração Musical 2008”.
Por quatro anos, foi flautista da Orquestra Sinfônica Jovem de Campinas, sob a regência de Simone Menezes. E em outras oportunidades inclui apresentações sob a regência de Parcival Módolo, Carlos Fiorini, Leandro Oliveira, João Mauricio Galindo, Eduardo Ostergren, Erik Vasconcelos, Sergio Dias e Nelson Nilo Hack.
Como flautista teve participação em duas gravações. “Obras Profanas do Padre Jose Mauricio Nunes Garcia” com a Orquestra Sinfônica do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, sob a regência de Sergio Dias; e “Uma Festa no Céu – Homenagem ao compositor Ernst Mahle” com a Orquestra Sinfônica Jovem de Campinas, sob a regência de Simone Menezes.
Andre Sinico tem uma carreira ativa como camerista, e junto ao violonista brasiliense Alvaro Henrique formam o Duo Bandeirante. Também tem se apresentado ao lado da pianista croata Ivana Marija Vidovic, da flautista norte-americana Dra. Christine Gustafson, do tenor André Vidal e da pianista Maria Teresa Madeira.
Apresentações em importantes salas de concerto do Brasil incluem: Sala São Paulo, Teatro Levino de Alcânta, Sala Martins Penna do Teatro Nacional Cláudio Santoro de Brasília, Auditório do Instituto Camões da Embaixada de Portugal em Brasília, Cine-Teatro Central de Juiz de Fora, Sala Villa-Lobos da UniRio, Centro de Convivência Cultural de Campinas e Auditório do Instituto de Artes da UNICAMP.
E participa ativamente de festivais de música e masterclasses no Brasil, onde ele teve aulas com Michel Debost, Keith Underwood, Michael Faust, Anders Ljungar-Chapelon, Jed Wentz, Michael Titt, Jorge de la Vega, Lucas Robatto, Sergio Barrenechea, Marcelo Barboza, Antonio Carrasqueira, José Ananias Lopes, Angeleita Floyd, Angela Jones-Reus, Bridget Bolliger e Odette Ernst Dias.
Alvaro Henrique
Violonista brasiliense, tem como principal objetivo artístico dividir seu entusiasmo pela música, e vem concretizando-o ao fazer concertos e gravações, divulgar novas obras, colaborar com compositores, ampliar o público, e ao trocar experiências com estudantes de música.
Compartilhou seu amor pela música com platéias no Brasil e no exterior, como no III Festival Nacional de Violão do Piauí, no XX Encontro de Violão e Violonistas Goianos, no Festival de Música Clássica Contemporânea de Lima, na interpretação do Concerto de Copacabana, de Radamés Gnatalli, com a Orquestra de Câmara Vale do Paraíba, sob regência de Rogério Santos, e outras apresentações em diversas cidades.
Representou a cultura brasileira no exterior, realizando apresentações no Peru, Irlanda, Inglaterra, Grécia, Alemanha e Suíça, tocando sempre obras nacionais, em especial de Heitor Villa-Lobos e César Guerra-Peixe.
Divulgou novas composições, tendo feito a primeira gravação mundial de Sighs, (Jorge Antunes), das obras para violão solo de Cláudio Santoro, da Suíte para Violão (Ernest Mahle), dos Cinco Intermezzos (Celso Mojola), entre outras. Também motivou compositores a escrever novas obras, e resultou dessa parceria Gegensatz (Oliver Thedieck), A Reconstrução de Brasília, (Carlos Alberto Silva), o Concertino para Violão e Grupo de Sopros e Percussão (Calimério Soares), entre outras.
Consciente da importância de ampliar o público de música erudita e instrumental, participou de projetos como o Curso de Formação de Platéias do CCBNB, em Fortaleza, e foi o primeiro presidente da Associação Brasiliense de Violão (BRAVIO), entidade que desde 2005 realiza eventos mensais de música instrumental gratuitos ou a preços populares.
Auxiliou estudantes de música a atingir seus sonhos ministrando aulas, palestras e escrevendo artigos que, além de dar ferramentas para os alunos tocar melhor, procuram ajudá-los a conseguir um espaço no mercado, como nas palestras no SESC 504 Sul (Brasília) sobre planejamento de carreira musical e nos artigos publicados na revista Violão Pró sobre como marcar os primeiros recitais. Também dividiu suas experiências e conhecimentos em diversos sites, revistas e participações em programas de rádio e TV.
Em agosto de 2009 retornou ao Brasil após estudar na Alemanha sob orientação de Franz Halasz. Entre seus projetos em desenvolvimento estão a gravação de um novo CD e uma série de apresentações em homenagem aos 50 anos de Brasília, que contarão com composições inéditas feitas especialmente para a ocasião.
Projeto MusiCâmara – diferencial didático
Com a coordenação artística da cantora e professora de técnica vocal Lúcia passos, o Projeto MusiCâmara é aberto à comunidade em geral e para estudantes. Realizado pela PRESTO – Produções e Promoções Artísticas, apresenta um diferencial que se constitui no trabalho didático que é feito anteriormente pelos músicos, nas escolas da rede pública municipal de São Leopoldo, com o objetivo de preparar os alunos para a melhor compreensão do programa que será executado.
Informações
www.prestosl.com.br
Telefone: (51) 3037.7784.
março 19, 2010
Greenpeace vs. Nestlé
A Nestlé é a maior empresa de alimentos do mundo. Mas durante essa semana o Greenpeace tem comprado uma briga feia com a empresa. A ONG denuncia que o chocolate KitKat, produzido pela Nestlé, utiliza matéria prima proveniente de palmeiras localizadas em florestas tropicais da Indonésia (possivelmente extraídas ilegalmente), o que tem causado um grande impacto sobre a população local e orangotangos.
Veja abaixo o video publicado pelo Greenpeace em defesa das florestas tropicais e dos orangotangos. E, se ficares um pouco mais atento no que rola pela internet, vai curtir a briga de gato e rato entre a Nestlé (sensurando aqui e ali) e o Greenpeace (colocando tudo no ar novamente). Tá bonito, vamos abrir mão do KitKat (e quantas outras coisas mais?). Vale a pena, ora bolas.
E vejam que já está rolando até uma paródia da Nestlé, em relação às suas inúteis tentativas de sensura da campanha. Rá!
março 11, 2010
Sobre exterminadores do futuro
Ao dar uma banda pelas interwebs em certo momento de ócio, me deparei com o sítio Os Exterminadores do Futuro. O objetivo deste é “elaborar uma lista, com a participação de toda a sociedade, que indicará os nomes dos políticos que vêm demonstrando, por meio de suas atitudes, desrespeito à legislação ambiental brasileira e ao patrimônio natural do País”.
Oras, acredito que o grau de esclarecimento da nossa sociedade sobre a questão do meio-ambiente tem melhorado dia após dia. É claro que, assim como ainda existem muitos analfabetos no Brasil, também existem muitos que não sabem da importância de se preservar o patrimônio natural. Pra isso existem os meios de comunicação tradicionais (que, infelizmente, mais emburrecem do que educam) e a internet que, bem ou mal, têm tido um papel importante na disseminação dessas idéias.
Hoje, através d’Os Exterminadores do Futuro, fiquei sabendo de um tal de PL 6424/05 (apelidado de “Floresta Zero”). Segundo informações que obtive através do Greenpeace nesta página, “este PL quer modificar o atual Código Florestal para pior, reduzindo de 80% para 50% a área com vegetação original que deve ser conservada e usada apenas para atividades de manejo florestal das propriedades privadas na Amazônia (a chamada Reserva Legal)”. Por mais incrível que pareça, este não é o primeiro PL do gênero. Infelizmente, o governo de Santa Catarina já deu sua contribuição para a destruição das florestas brasileiras ao reduzir de 30 para absurdos 5 metros a área de preservação das matas ciliares (leia mais aqui, aqui e aqui).
O governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, argumentou que a atual lei federal inviabiliza que 90% dos produtores rurais do estado, que vivem em pequenas propriedades, se mantenham no campo, o que resultaria num aumento das favelas devido a uma suposta migração em massa para as cidades. Por outro lado, e com toda a razão, os ambientalistas dizem que a redução das matas ciliares apenas aumentaria o risco de mais deslizamentos devido a infiltrações no solo e erosão, sem contar nos malefícios do desmatamento propriamente dito (como se os desastres que assolaram o estado em 2008 não fossem o bastante) (fonte: G1).
Não bastasse esse triste episódio em SC, a vasta impermeabilização do solo em São Paulo e as inúmeras construções feitas em aterros de banhados pelo Brasil todo (os principais causadores de enchentes), o governo federal quer reduzir em 30% a Reserva Legal. O que percebo é que, enquanto alguns países buscam alternativas para melhorar a vida na Terra (geralmente países que já contribuiram muito com a destruição dela e hoje sofrem as conseqüências), o Brasil continua na contra-mão. Até quando isso vai durar? Até quando vamos nos achar no direito de destruir para “progredir” e só então começar a preservar de fato?
O mínimo que nós, cidadãos, podemos fazer é não jogar nosso voto no lixo. Pra isso que serve Os Exterminadores do Futuro. Gostei da iniciativa e apóio. Assim como já divulguei no falecido Volume no Dez a lista de todos os candidados a prefeito do país que possuiam algum tipo de processo, pretendo fazer o mesmo nessas eleições presidenciais e estaduais.
Alguns links relacionados:
Carta do Dep. Edson Duarte ao presidente da câmara sobre o PL 6424/05
Meia Amazônia Não – sítio com a lista de todos os deputados que irão votar no PL 6424/05
Meia Amazônia Não – página principal
Uma breve atualização. Também li a respeito do PL 5367/09 que é, sem sombra de dúvidas, a maior afronta que esses políticos brasileiros já fizeram contra o meio ambiente. Já há inclusive um abaixo-assinado contra este PL que visa acabar com a legislação ambiental do Brasil, substituindo-a por um “Código Ambiental” repleto de absurdos!
março 10, 2010
janeiro 7, 2010
Festival Psicodália de Ano Novo – 2009/2010
A vida é curta, tem que ser bem vivida. Existem momentos e pessoas que ficam marcados na memória para sempre. A amizade, gentileza, companheirismo. Há quem diga que um novo mundo não é possível, que idéias malucas não passam de utopias… coisas de maluco. Mas digo que não, pois o que vivemos no último ano novo, e que será contado logo abaixo nas palavras do meu amigo-irmão Giovani Paim, é a prova de que, quando realmente queremos, podemos sim viver em completa paz e harmonia. Todos juntos reunidos, como que numa pessoa só!
Não era 1969, e não era uma fazenda em Bethel, Nova Iorque, nos Estados Unidos. Era 2009, e a fazenda era em Rio Negrinho, Santa Catarina, Brasil. Com as devidas proporções respeitadas, as mudanças mundanas, econômicas, políticas, sociais, os desejos e as vontades, podemos dizer que vivemos nosso breve Woodstock, na edição histórica do Festival Psicodália de Ano Novo 2009/2010 ( entre os dias 30/12 e 03/01).
A ânsia libertária e/ou lisérgica já não era a mesma, os tempos, os ventos mudaram. A tríade sexo, drogas e rock and roll sofreu adaptações, e cada coisa vive no seu tempo. No nosso teve Malucos Malucos, Malucos Belezas e Malucos de Cara.
Jardim elétrico
“A diferença da psicodelia de hoje pra a daquela época? Pô, vai depender do ácido que você toma, bicho!” Assim começou a coletiva com Os Mutantes, quando Sérgio Dias foi questionado sobre o estilo.
Pelo nosso jardim, coletivo e gigante, em algum momento do dia, tu iria escutar o violão e versos de Plá (PR), poeta do acaso, marginal da melhor forma. Rodas de violão, batuques, flautas, gaitas, fumos, bebidas. Tinha gente de SC, RS, PR, MG, SP, RJ, PE, da lua e de outros cantos. Sempre um pra representar.
O espaço da fazenda era grande, “deveras pra caralho”, eu diria, citando Gato Preto (PR), que rolava direto Rádio Kombi, rádio interna que além de tocar bons novos e velhos sons, mantinha os psicodélicos informados sobre “achados e perdidos” e recados variados.
No campo, estilos variados, livres. Todos sacando a grandeza da coisa. Muitas Dálias (dinheiro local) circulavam e a água gelada era 1 Dália (R$ 1,00) e cerveja 2 Dálias. Para comer tinha até praça de alimentação, pizzas, frutas, sanduíches, cachorros-quentes (Dog Dylan), xis (Rango Starr) ou o Prato Feliz, de comida mesmo; além da cozinha comunitária.
Minha vida é um palco iluminado
Teatro, oficinas, corpos pintados, artistas solitários, hippies vendedores garantiam sempre ter o que ver/fazer, atrações paralelas e constantes.
Os shows iniciaram na noite do dia 30/12, com a Eletric Trip (RS) e seu blues psicodélico, teve até loucão no palco plantando bananeira. Depois a Leprechauss(PR), com música celta, pirado.
No dia seguinte, 31/12, várias bandas passaram pelo Palco do Sol e pelo Palco do Pasto. Poucas Trancas (SP), num clima Secos e Molhados, junto com a Baratas Organolóides (SP) garantiram a atenção de quem curtia o Sol no meio da tarde. A noite, no Pasto, teve a Badinha Di Dá Dó (RS), brindando o Ano Novo. Noite bonita, ceia coletiva, abraços, galera alucinada e show impecável, muitos moshs e um fotógrafo cambaleante o.O
Na sexta-feira, primeiro do ano, o grande show era com os vikings da Blindagem, mas antes, Pata de Elefante (RS). Uma patada aos olhos e ouvidos, como sempre.
Já no sábado, 02/01, era a hora e a vez d´Os Mutantes tocar. Logo cedo, às 14hs, no palco principal (Pasto) e sem cortinas, surge Os Mutantes, passando o som para quem quisesse ver/ouvir. (muito escutaram de longe e não acreditaram na possibilidade. Ficaram nas barracas…) Nesse momento a coisa bateu. Tecnicolor arrepiou, admito. Logo teve uma entrevista coletiva, mas parecia um bate papo. Menos de 20 pessoas presenciamos e deu pra tirar foto com o velho.
Uns fãs os esperavam na saída. Camisetas, autógrafos, vinis, fotos e, na hora de partir, a van atolou. Deleite para os fãs, empurraram bem contentes! À noite, depois do envolvente e teatral show da Casa de Orates (SC), Mutantes no palco. Baita show. Luzes, lágrimas, berros, coros, cores. Clássicos e novas num show retinho, firme. Uma bela apresentação, Mutantes, lá no meio do nada, a céu aberto… não precisa de definições. Sérgio Dias e seu sorriso embelezavam os solos de guitarra.
No dia final, domingo, depois de Plá, foi a vez do progressivo Terreno Baldio. O líder, João Kurk, explicava e contextualizava as letras para todos curtirem ao máximo. Pra fechar o Festival, Maxixe Machine(PR) com seus macacões, cervejas, ritmos e poesias.
Teoricamente o Psicodália acabava ali, quase todos partiram. Mas finaleira ainda rolou o Palco dos Guerreiros, reunião com os remanescentes e carne assada. A Rádio Kombi funcionou durante a noite, e eu posso garantir que ouvir alguma do Barret (não lembro qual era…), no primeiro Pink Floyd, num som alto, no meio do mato escuro é uma coisa bem boa!
Loucura pouca é bobagem
Sem muitos detalhes, tinha gente indo pra lua, outros tentando voltar. Tinha gente que só conseguia sorrir, abraçar, amar. Outros dormir, outros, pular, girar. Uns só conseguiam falar, outros pensar, outros, assistir. Tinha espaço até pra loucura de ficar sóbrio. Danças libidinosas, passos engraçados. O corpo como limite, mas nem sempre. Para o fim das noites o Sallon, onde de dia acontecia teatro, ou passava filmes como o Lóki era palco de batidas tribais, stripsteases e doideras de toda ordem.
Goles de liberdade
As cerca de 4000 mil pessoas que tiveram por lá, curtiram boas doses de liberdade. Mato, barraca, lanterna, música, teatro, dança, expressões variadas. Nada mal se o tempo parasse, primavera nos dentes. Dias sem celular, internet, televisão. Dias de mãos dadas, de namorar nas barracas, sorrir entre amigos, conhecer mais pessoas. Podíamos tomar banho de rio, banho de lama, banho de sol, banho de chuva. Podia se fazer tudo, ou nada.
Estávamos todos lá, dias sem saber o que acontecia no mundo, nada, nada. Foi boa essa distância completa, acho que todos mereciam uns dias assim… ao menos uma vez na vida.
No terreno baldio você pode gritar
Pequenos hinos surgiam do nada e coros inusitados se espalhavam rapidamente.
Vale citar o “Doce doce doce doce, doce doce doce, doce doce doce”, o “Ei, paranormal, larga dessa aí e pega no meu pé!”, o “O peito, peitinho, peitãããão!!! (esfregando na minha cara)” E também os gritos que se espalhavam – alguém numa barraca berrava, outro repetia e assim as palavras iam -, num coro gigante. Cito: o “aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa haaaaaaaaaaaa, do Led Zeppelin; o “Bom diaaaaaa!” todas as manhãs, e a procura constante por “Wagneeeeeeeeeer!!!”, é claro.
O que é bom dura pouco
Por vezes me senti dentro de uma letra do Belchior, mas o tempo passou e a história acabou (todos querem mais). Agora, poluição, cidade, horários, prédios, compromissos, pessoas infelizes, eletricidade e as modernidades e comodidades do mundo. Não serei hipócrita dizendo não ter prazer ao chegar em casa e ligar o ventilador, tomar banho quente e deitar numa cama. Tudo é interessante, o negócio é viver, ser feliz, e curtir um pouco de cada. Uma coisa de cada vez, tudo ao mesmo tempo agora, senão, não tem graça. E eu não tenho vocação para frustrado. Eu quero e mais e mais e mais. (Isso não tem nada a ver com excessos e drogadições. Adoro estar bêbado, mas optei por assistir Os Mutantes sóbrio. Duas latinhas e muitas lembranças)
Enfim, mesmo com a saudade de Arnaldo, o público delirou com Sérgio Dias, Dinho Leme e sua trupe. Os Mutantes, todas as atrações e organizações envolvidas cravaram o evento na história. O Psicodália de Ano Novo acabou, mas os 2010 estão apenas começando… e, só pra relembrar Raul Seixas, a chuva promete não deixar vestígios…
Obs.: Esse foi o meu 1º acampamento, meu 1º Psicodália. Meu e de minha esposa, Bárbara Andrade. Curtimos bastante. Ficamos juntos de uns bons amigos, numa pequena vila dentro de um potreiro, vendemos bastante bottons, fiz boas fotos e é por isso tudo e por todas as coisas as que cada foto me lembra, que posso dizer:
Até o ano que vem, Psicodálicos!
05.01.2009
Giovani Paim
Pra finalizar, deixo uma frase da amiga Suellen, que também nos acompanhou nessa viagem inesquecível: “Quem me dera largar mão dessa sociedade ordinária e poder viver pra sempre num lugar chamado PSICODÁLIA!”
dezembro 16, 2009
E meu voto não vai para…
As eleições presidenciais são só no ano que vem, mas eu já desconfiava que a minsitra Dilma Rouseff não seria merecedora do meu precioso voto. Essa declaração apenas confirma o que já suspeitava. Francamente, hein ministra? Andaste tomando laxante pra língua?
dezembro 3, 2009
Governo do Estado tenta despejar moradores universitários
Segue o texto, assim como o recebi por e-mail.
Informação importante para quem luta pelo direito de morar e estudar,
passem adiante;
GOVERNO DO ESTADO TENTA DESALOJAR MORADORES DA CEUL
A Casa do Estudante Universitário Leopoldense (CEUL) informa a amigos, movimentos sociais e à toda comunidade de São Leopoldo que está sob o risco de perder a sua atual sede, localizada na Rua Primeiro de Março, 729, Centro. Isto porque a Governadora do Estado, Yeda Crusius, enviou para a Assembléia Legislativa o Projeto de Lei 184/2009, que autoriza o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER/RS) a vender o imóvel ocupado por estudantes desde 1984. O Projeto está com os parlamentares desde o dia 12 de agosto e pode ser votado a qualquer instante.
Em nenhum momento, a CEUL recebeu qualquer notificação do documento, descobrindo por acaso um processo que pode dar rumos trágicos a uma organização que há quarenta anos luta por moradia estudantil. Se o Projeto for aprovado pelos parlamentares, os moradores serão expulsos do local e a entidade não terá como alojar estudantes universitários da região metropolitana, que dividem entre si o custo da sobrevivência desassistida pelo poder público.
Esta é a segunda tentativa do DAER de vender o imóvel. Em 2006, um Projeto de Lei do Governo do Estado semelhante foi barrado no Legislativo pela mobilização dos moradores com o apoio da população leopoldense. No entanto, o engavetamento daquela proposta não foi suficiente para diminuir a ganância do órgão estadual que, em conluio com a especulação imobiliária de São Leopoldo, visa obter lucros exorbitantes à custa do despejo de estudantes trabalhadores.
Sendo assim, a CEUL declara a todos que se importam com o futuro da organização que não aceitará passivamente a imposição deste Governo corrupto e covarde. A casa se encontra mais do que nunca em luta por moradia. Seus moradores já estão novamente mobilizados para o convencimento dos parlamentares que, pela experiência história, não virá sem pressão por parte da sociedade. Portanto, todos aqueles que puderem contribuir com a luta o faça através de sua participação nos atividades, moções de apoio e difusão do fato.
Ao longo da sua história, a Casa ajudou mais de 200 estudantes de baixa renda, que, beneficiados pela moradia barata, conseguiram concluir seus estudos, tornando-se profissionais dos mais diversos ramos. Na maioria, jovens oriundos de localidades distantes do Rio Grande do Sul ou mesmo de outros Estados. Todo ano dezenas de universitários procuram a CEUL em busca de um lugar para ficar, através da seleção de moradores ou de pedidos de hospedagem, inclusive para intercambistas.
Atualmente, a Casa abriga discentes de Administração, Arquitetura, Ciências Sociais, Comunicação Social, Direito, Educação Física, Engenharia Civil, Engenharia de Alimentos, Engenharia Elétrica, Formação de Músicos e Produtores de Rock, Gestão Ambiental, História e Letras da Universidade do Vale do Rio dos Sinos e da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul. Já existe um projeto de ampliação da CEUL para abrigar cerca de quarenta estudantes, mas que por falta de recursos ainda não foi efetivado.
Histórico
A Casa do Estudante Universitário Leopoldense tem sua origem em 1969, meses depois da inauguração da Unisinos. Naquele ano, um grupo de discentes da universidade resolve se reunir sob o mesmo teto, nas antigas dependências do pré-seminário pertecente à Associação Evangélica Evoti, dividindo despesas de aluguel e criando um ambiente de convívio estudantil.
A luta pelo direito a moradia teve início em 1977, quando a Associação obrigou os moradores a abandonar o prédio dentro do período de um mês, pois tinha outros interesses para o mesmo. Os estudantes resistiram e só saíram do local em abril de 1983, que passara a pertencer ao Museu Histórico de São Leopoldo. Sem alternativa, os moradores se transferiram para o prédio do Castelinho, atual Câmara Municipal de São Leopoldo.
Depois da ocupação do prédio pelos estudantes, a Prefeitura, descontente com o caso, resolveu pedir o destombamento do Castelinho para a ampliação da Avenida Dom João Becker. Em junho de 1983, a antiga Casa do Estudante é demolida, com desrespeito à lei, pois o prédio havia sido tombado pelo Patrimônio do Estado.
Após tentativa de reconstruir o Castelinho, os moradores se dividem e alguns mudam-se para o endereço da Rua Primeiro de Março, 729, Centro, em prédio cedido pelo DAER. Outros iniciam a construção de uma nova casa com sede na Avenida Unisinos, que viria ser fundada em 1991, recebendo o nome de Casa do Estudante Cristo Rei – CEUNI.
Para mais informações, eis os nossos contatos:
Casa do Estudante Universitário Leopoldense – (51) 3592-1668
Rafael Butigahn (comissão de Comunicação) – (51) 8198-9011
E-mail: casaceul@gmail. com
outubro 15, 2009
Sobre mudanças climáticas: uma reflexão
Dia 15 de outubro é o Blog Action Day, uma ação promovida entre blogueiros do mundo inteiro na qual todos escrevem sobre um determinado assunto. Neste ano, a pauta são as mudanças climáticas e aqui deixo minha colaboração. Faço uma breve reflexão sobre os motivos de continuarmos caminhando rumo à beira do abismo, mesmo com cada vez mais campanhas pró-meio ambiente e todo o espaço na mídia que tem sido dedicado ao assunto. Foco-me em dois pontos: transportes – por que insistimos na sustentabilidade de dentro de nossos carros, presos no engarrafamento? – e alimentação – por que não repensamos nossos hábitos alimentares? Boa parte do desmatamento da Amazônia ocorre para que exista mais espaço para a criação de gado. Este último ficará para um segundo post.
O assunto “mudanças climáticas” já está meio batido, na moda. Todos falam sobre aquecimento global e até uma das maiores redes de supermercados do mundo, a Wal*Mart, distribui aqui no Brasil suas sacolinhas ecológicas. Sinal de que os tempos estão mudando, mas a pergunta de sempre permanece: o quão a sério a sociedade está levando esse assunto? Ao dar uma olhada em volta, vejo que não muito.
Não sei se é algo exclusivo da cultura brasileira, onde que quem prega determinado pensamento nem sempre o cumpre à risca. Hipocrisia sim, mas creio que todos temos um pouco disso. Viajando um pouco sobre o assunto ‘verde’, na qual grandes potências do mundo capitalista baseiam suas propagandas para venderem seus produtos “ecologicamente corretos”, é onde percebo a maior picaretagem de todas.
Vou pegar o exemplo do carro elétrico, visto por muitos como um messias que está chegando para nos salvar do apocalipse. Um automóvel desses, concluído, pode não gerar diretamente toda a poluição que um carro convencional emite, mas indiretamente, é tão poluidor quanto… se não mais. No Brasil, a maior parte da energia elétrica é proveniente de usinas hidrelétricas. Muitos podem pensar que esta é uma forma de geração limpa de energia, pois seu recurso – água – é praticamente ilimitado e tudo o que tem que ser feito é utilizar sua força para girar algumas turbinas. Mas um estudo recente mostra que hidrelétricas podem ser mais poluentes do que as termelétricas. Depois ainda temos tudo o que envolve a construção de um carro elétrico, um processo poluente sem sombra de dúvidas. Em poucas palavras, um carro só será verde se assim for pintado.
Há também todas aquelas parafernálias que utilizamos no dia-a-dia, tudo o que é descartável e desnecessário para a vida. Num mundo onde a população cresce aos bilhões, o correto seria que dispensássemos tudo o que não é essencial à vida: computadores pessoais, telefones celulares, aparelhos de TV, mais que uma muda de roupa… Mas se bem conheço o ser-humano (só pra lembrar que não sou um ET), a busca pela sustentabilidade não deve internefir em todos os confortos conquistados por nossa espécie através dos séculos – o caminho mais difícil, devo admitir. Então o que fazer para evitar que as mudanças climáticas em decorrência da mão do homem se agravem ainda mais? Em primeiro lugar, consciência.
Ter consciência da nossa situação já é meio caminho andado. O problema é que não falta consciência para as pessoas, falta vontade. O brasileiro (tanto povo quanto governo) sabe que o uso indiscriminado do automóvel como meio de transporte diário é prejudicial ao meio ambiente e à saúde da população, mas o que é feito sobre isso? No último dia mundial sem carro, evento que ocorre anualmente em 22 de setembro, os engarrafamentos não diminuiram no Brasil. Poucos foram os que tiveram coragem de deixar o carro na garagem e enfrentar o transporte público ou uma caminhada. Embora mais e mais pessoas estejam tomando consciência da nossa situação perante o planeta, nada disso ainda basta para que todos os estragos já cometidos pela raça humana sejam revertidos.
O triste é saber que enquanto a sociedade for dominada pelo mundo capitalista, esse quadro não irá se reverter. Para os poucos que mandam e desmandam nas grandes corporações, o bolso vale mais que o planeta. Termino com aquela famosa frase:
Somente quando for cortada a última árvore, pescado o último peixe, poluído o último rio, é que as pessoas vão perceber que não podem comer dinheiro.
Logo mais, mais uma reflexão sobre o impacto da nossa alimentação no meio ambiente.
outubro 12, 2009
Tudo do avesso
Ia começar falando da vitória da seleção brasileira de futebol sub-20 sobre a Alemanha, no sábado. Uma vitória bonita de se ver. Mudei de idéia, pois lembrei de um trecho do Um Certo Capitão Rodrigo em que o Pe. Lara pergunta ao primeiro como ele faria o mundo. O Cap. responde que faria um mundo onde os homens não precisassem trabalhar, onde as mulheres sofreriam menos na hora do parto e que as guerras jamais acabassem, pois afinal, era diversão. O Pe. então o questiona sobre esse ponto de vista e diz que o mundo seria uma bagunça desse jeito. Rodrigo apenas responde que o mundo já é uma bagunça.
2014 está aí e logo depois vem 2016, dois anos que certamente entrarão para a história do Brasil. Talvez até para a história do esporte mundial pois, se não estou enganado, nunca antes um país sediou uma Copa do Mundo de futebol e uma Olimpíada numa tacada só. E enquanto uns dizem que existem coisas mais importantes para investir com o dinheiro dos impostos, como educação, saúde e moradia, outros comoram essa façanha do país de terceiro mundo, como exalta Fidel Castro aqui – e tantos outros que superfatutarão com as obras que estão por vir. Não sejamos ingênuos, estamos no Brasil.
Antes de manifestar qualquer opinião (embora o título já dê uma dica), gostaria de expôr mais alguns fatos. Sou um leitor assíduo da revista Bike Action e uma coluna que gosto muito é a Hora do Blush, escrita pela atleta e publicitária Andrea Marcellini. Ao ler essa coluna na última edição da revista, apenas relembrei o quanto nosso país está atrasado em certos aspectos. Só pra deixar o leitor à par do que estou pensando, imagine-se viajando num trem de alta velocidade, de Porto Alegre à Belo Horizonte. Ou então, caso o leitor more em São Leopoldo e estude na PUC-RS, que maravilha não seria ir todos os dias de bicicleta para a faculdade, sem se encomodar em deixa-la no trem? Existem lugares no mundo em que isso é possível. A Andrea conta um pouco sobre sua estadia na Suíça, trabalhando na UCI – União Internacional de Ciclismo.
Organizar um evento gigantesco, seja uma Copa do Mundo ou uma Olimpíada, exige gastos gigantescos. Por um lado isso me entristesse, pois sei que quem vai mexer com toda essa grana são pessoas (em sua maioria) corruptas. Também existe o fato de que boa parte dos complexos desportivos provavelmente não serão utilizados em sua capacidade máxima após o término das Olimpíadas. Vide o que aconteceu após o Pan de 2007. Arcar com toda essa extravagância é demais para um país como o Brasil, onde uma parcela considerável da população vive em extrema pobreza e sobrevive com um bolsa-esmola qualquer, não tem educação de qualidade (convém deixar o povo burro, afinal) e nem saúde.
Mas também não posso me posicionar contra. Existe o sonho de que, com a realização das Olimpíadas, deixemos de ser somente o país do futebol para nos tornarmos o país da natação, do atletismo, ciclismo… Potencial e competência nós temos, mas falta o tal do investimento (seja ele na forma de patrocínios ou repercussão midiática), hoje focado basicamente no futebol.
Há também a esperança de que tudo isso mude um pouco a mentalidade da nossa sociedade, que hoje é tão dependente de coisas supérfluas e insustentável. Como explica o engenheiro civil Luis Antônio Lindau nessa entrevista, o Brasil está mergulhado na cultura do transporte individual motorizado. Com a tarefa de ter que se adequar aos padrões internacionais para que realize com sucesso a copa e as olimpíadas, certamente veremos obras direcionadas ao transporte público nas principais cidades brasileiras. Que os responsáveis por tais obras tragam algo de bom do velho continente, não somente suas marcas e sua filosofia do descartável.
Ps.: leia a entrevista com o Luis Lindau.
agosto 24, 2009
Belchior na natureza selvagem
Quem nunca pensou em sumir do mapa que atire a primeira pedra. Todos passamos por tristezas, algum tipo de decepção… algo que nos exija um retiro espiritual para nos recompor e voltar a encarar o mundo de frente. Ninguém vive num
poço de felicidade a vida inteira. Muitos podem até não admitir, mas garanto que no mais íntimo de cada um existe essa vontade.
Alguns levam essa vontade realmente a sério. Somem. Quantos casos de desaparecimento não devem haver por aí simplesmente porque a pessoa cansou e resolveu dar um tempo a si mesma? Preocupação de amigos e parentes à parte, acredito que isso seja essencial para a sanidade de cada um (embora sumir seja considerado algo “insano” – pelos insanos). Não é à toa que a maioria das religiões (se não todas) creem que esses retiros façam bem ao espírito. Estar sozinho, onde quer que seja, é como colocar um espelho na nossa frente. Não para enxergar essa imagem de carne e osso, mas a alma.
Ernesto Nazareth teve seu retiro ao fim de sua vida. Chris McCandless, que inspira o título desse texto, idem. Belchior, que hoje é notícia pela internet… Este último certamente está passando por bons momentos. E tantos, quantos outros?
Sair para o mundo, antes de qualquer coisa, significa uma ânsia por novos horizontes ou simplesmente querer reencontrar-se. Quantas vezes não fazemos coisas pra depois pensar “esse não sou eu”? Creio veementemente que nessas horas os olhos devem estar voltados para dentro de nós mesmos, não para fora.
Numa perspectiva bem pessoal, ando sentindo uma falta enorme de ter esse tempo pra mim. Penso em dedicar as férias que estão por vir às viagens sobre a bicicleta, calada companheira de tombos e emoções. E o legal de tudo isso é o “aconteça o que acontecer, lá vou eu”! Ser um ciclista anônimo numa cidadezinha qualquer do interior, banhado pelo pó da estrada e a bênção do Zé Rodrix. Sem celular, computador ou qualquer outra coisa que me conecte ao mundo exterior. A conexão que busco é com o interior.
Esses fujões viajantes me inspiram profundamente.
agosto 11, 2009
julho 21, 2009
julho 8, 2009
Sobre artistas e piratas
Esse post não é exatamente uma resposta, mas não fosse o Hiperfície, não estaria aqui escrevendo.
Na próxima sexta-feira, 10 de julho, o PL dos cibercrimes (AI-5 Digital) vai fazer um ano que está de volta à Câmara dos Deputados. Não bastasse isso, o Bispo Gê também entrou na onda. E agora, quem poderá nos defender? Ora bolas, o Partido Pirata, é claro!
Pára tudo! Toda essa questão de defender a liberdade na internet, o livre compartilhamento de cultura e conhecimento versus políticos malvados que apóiam o velho modelo de distribuição, pelo que vejo, não está buscando beneficiar quem realmente precisa: as pessoas que produzem o tão cobiçado e precioso conteúdo. Entre um blog e outro, um projeto de lei e outro, visualizo uma disputa de cabo-de-força. De um lado estão os políticos e gravadoras, do outro, os defensores da liberdade. Como a grande maioria dos textos que leio por aí se posicionam ou numa extremidade dessa corda ou de outra, gostaria de falar aqui não como uma pessoa que simpatiza com o movimento do software livre e tudo o que ele defende, mas como músico – afinal, com o disco que gravamos em abril, não pretendemos nem dar nossos possíveis lucros às gravadoras mas também não podemos abrir mão do que nos é de direito.
Começo com duas perguntas bem simples: você, leitor, já ouviu falar de um tal de Michael Jackson? E Júlio Reny, já ouviu falar? Pois é aí que começa a incoerência. Quem defende a livre troca de conteúdo na internet não faz distinção alguma entre aquele cara que morou numa mansão de milhões de dólares e é enterrado num caixão de ouro e aquele outro que, não menos competente, depende da venda de seus discos e seus shows para levar uma vida digna. Para o sr. Jackson, ter mil cópias de seu disco baixado da internet talvez não faça diferença alguma, mas para outros isso faz, e muita! E se Michael Jackson hoje é a pessoa que mais vendeu discos no mundo, isso se deu graças à promoção de seu trabalho por parte da gravadora. Ela lucrou com isso? Claro! O artista deixou de ganhar? Claro que não! Caso me perguntarem se hoje, após a morte do “rei do pop” a gravadora precisa continuar ganhando…. digo que não.
Um argumento muito utilizado por quem gosta de baixar músicas da internet é que isso ajuda na divulgação das bandas. E ajuda mesmo! Se não fosse a internet, muitas bandas que hoje alcançaram o sucesso jamais o teriam feito se ainda dependessem das velhas fitas K-7 empilhadas nas mesas dos “caça-talentos” de grandes gravadoras. E graças a divulgação, mais pessoas vão aos shows, o que significa retorno financeiro para o artista. Já me aconteceu de só ir ao show de uma banda porque tive a oportunidade de ouvir uma música antes, de forma gratuíta, na internet. Esse é o benefício da livre troca de conteúdo digital.
Mas, como nem tudo são flores, a internet traz seus malefícios também. Existe aquele tipo de usuário que baixa por baixar, só pra dizer depois que tem trocentos gigas de mp3 no computador, e esses eu desconsidero pois não representam uma ameaça. Mas aquele indivíduo que baixa só o que quer ouvir (aquela pessoa que realmente consome música), não compra disco algum e ainda esbraveja por aí “não ao AI-5 digital” enquanto deixa o cliente torrent fervendo, é bem o tipinho de gente sem nenhum escrúpulo. Afinal, o que há de tão malévolo em acessar uma loja virtual (não precisa nem tirar a bunda da cadeira) e comprar o material daquele artista tão admirado? O CD chega em poucos dias com encarte bem feito, com informações que normalmente não estão disponíveis naquele “.rar” e, se cair um raio e o HD for pro saco, as músicas não serão perdidas. Ok, há quem argumente que alguns discos já se encontram fora de catálogo e a única forma de obte-los é baixando da internet. Nesse caso não creio que haja algum problema. Mais, acho isso até justo, pois alguém não pode se privar de ter determinado conteúdo só porque a produtora resolveu não investir mais no artista (mas se achar o velho e raro LP numa lojinha de discos usados, não pense duas vezes antes de comprar!).
Então pra finalizar… enquanto políticos, gravadoras e consumidores não acharem um meio termo, essa batalha vai continuar e quem vai continuar bancando o pato será o artista. Tipo, se usuário se dispõe a pagar o preço de um computador, pagar a luz e uma internet banda-larga, vai lá e compra o disco do cara, pô! Não sejamos medíocres. Muito se fala que deve ser inventada uma nova forma de distribuição de conteúdo digital para que todos os lados saiam ganhando: consumidor baixando tudo de graça e artista ganhando. Eu já acredito que isso pode ser benéfico mas não indispensável, contanto que todos façam uso do caráter que dizem ter – ou alguém aqui se considera um mau-caráter?
Ah, e antes que me perguntem: sim, eu compro discos (CDs e LPs), de Beatles a Roberto Corrêa. E sim, eu baixo música da internet. E, novamente, sim, eu trabalho com música.
Uma rápida atualização:
Depois de ler novamente o que está escrito lá no Hiperfície, descobri que estou levando certas coisas em consideração ao expôr minhas idéias, ao passo que o Rená está considerando outras coisas. Bem, toda essa cultura de Creative Commons é realmente explêndida. Se levarmos em consideração que as leis atuais de copyright proibem o punk de tocar Raul Seixas na praça da cidade com seu violão desafinado, o CC é uma bênção. Acho que eu estava levando tudo para um lado muito comercial (capitalista). O detalhe é que o capitalismo é a nossa realidade hoje e se todo bem produzido for licenciado com um CC-Share Alike, estaremos entrando no tão famoso comunismo utópico. E acredito que continuará sendo utópico – pelo menos até meus dias sobre essa terra se acabarem…
Havia esquecido também que, segundo as leis atuais, eu não posso colocar pra tocar meus discos numa festa, emprestar o CD daquele artista que gosto para um amigo, assim como não posso ouvir um trabalho antes de decidir compra-lo ou não. Nesse ponto, toda aquela cultura de colaboração tem meu total apoio… mas continuo defendendo que o artista (um trabalhador), deve receber por seu trabalho. Afinal, não foi nos dois últimos parágrafos que o capitalismo morreu.
Abraço!
julho 7, 2009
Le Tour no País do Futebol
A Volta da França, que em 2009 completa 106 anos de tradição, é o evento esportivo com a terceira maior audiência do mundo: perde apenas para a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Fato aceitável este, mas essa omissão por parte da mídia esportiva brasileira é inadmissível.
Primeiro porque no Brasil esporte é sinônimo de futebol ou corridas de automóvel (não é à toa que boa parte dos brasileiros possui a camisa de algum clube de futebol ou um automóvel – quando não ambos). Tudo o que foge disso não merece respeito algum. Pegando como exemplo o caso do Diego Hipólito, um dos maiores ginastas que o país já viu. Seu clube, o Flamengo, tem o costume de atrasar seu salário, mas não o do atacante Adriano. Aliás, o clube parece não se importar muito quando este vai curtir uma balada até o amanhecer e simplesmente não aparece no treino. César Cielo, um dos únicos que trouxe a medalha de outro para o Brasil dos jogos de Pequim, tem que treinar nos Estados Unidos porque aqui ele não tem as mesmas condições de treino que as maiores potências da natação têm. Mas trouxe o ouro assim mesmo.
Corporativismo, eis a palavra. Enquanto redes de televisão do mundo inteiro transmitem a Volta da França, com suas paisagens espetaculares e não menos emocionante que uma final de campeonato de futebol, tenho que me contentar com uma rede de televisão passando a Stock Car num domingo de manhã, empurrando marcas e mais marcas de automóveis para que eu seja mais um “feliz” comprador de um produto praticamente descartável, altamente poluente e individualista.
Não é nem tanto a questão do que a mídia transmite, mas o que mandam ela transmitir. Se marcas como Specialized, Scott, Merida ou Trek (você já ouviu falar de alguma delas?) fossem tão fortes no Brasil quanto Chevrolet, Ford, Volkswagen ou Peugeot (essas você conhece, né?), talvez teríamos um Tour em horário nobre. Mas, quando lá nos idos da década de 1950 as portas do país foram abertas para a indústria automotiva, iniciou-se uma relação de afeto muito grande entre homem e motor. Muitos países (os ditos ‘desenvolvidos’) já estão deixando esse velho modelo de lado… mas não o Brasil, teimoso como uma mula… como sempre.
O fato que é outros esportes não são deixados em segundo plano porque eles simplesmente não estão nos planos! Quando muito, passa um jogo de vôlei, basquete ou, mais raro, uma maratona… desde que isso não atrapalhe uma corrida ou partida de futebol, óbvio! Inclusive a ESPN, única emissora brasileira a transmitir o Tour desse ano, não parava de falar em Fórmula 1 durante a primeira etapa, que foi realizada, em parte, no circuito da F1 de Mônaco. Fique com os quilômetros finais da 2ª etapa do tour, que ocorreu no último domingo pela manhã enquanto o Brasil inteiro assistia a Stock Car.
Update via UOL Esportes: conhecendo o trajeto do Tour de France 2009
junho 29, 2009
A Educação… no México
O video que vocês acabaram de assistir veio até mim por e-mail através da Elis Brás, uma leopoldense que está morando em Puebla, no México. Segue o texto do e-mail, assim como o recebi:
Amigos,
Escrevo para dividir com todos e cada um de vocês este documentário no qual estive trabalhando nos últimos tempos em parceria com o Apollo Colectivo. O documentário trata da repressão exercida pelo governo de Puebla, México (cidade onde vivo), sobre um grupo de professores que se manifestavam contra a Alianza por la Calidad Educativa, que é uma proposta de privatização da educação no país.
A presidente do sindicato de maestros, Elba Esther Gordillo, é a favor desta implementação. Por todo o país professores em discordância formam novos sindicatos e se organizam para derrubar a proposta além de outras reivindicações.
O México vive muitos conflitos sociais, um Estado pouco legitimado pelo povo e de muita repressão. Histórias de desaparecimento forçado e tortura são comuns em todos pueblos indígenas. São centenas de presos políticos e diversas irregularidades que se extremam pela violação dos direitos humanos dos povos oprimidos.
http://apollocolectivo.blip.tv/file/2295299/
Espero por suas críticas e desde já, agradeço por ajudarem a difundir este vídeo. (duração 10min)
Façamos uma corrente para denunciar os abusos vividos na América Latina.Abraços de paz
É inadmissível que toda a educação de um país seja privatizada. Lembram que no post anterior falei sobre uma opinião, através do documentário A Corporação, de um CEO que defende que tudo no mundo deva ser privatizado? Há alguns anos atrás (realmente não sei se durante o atual governo do Evo Morales ou antes) tentaram privatizar a água (inclusive a da chuva!) em uma região da Bolívia. O que aconteceu? Exatamente o mesmo que este documentário mostrou: o povo foi às ruas, houveram diversos conflitos (com vítimas fatais), mas a maioria venceu – sob o velho e conhecido lema “O povo unido jamais será vencido”.
Parabenizo todas as pessoas que trabalharam em conjunto neste documentário, assim como todos aqueles que foram às ruas reclamar seus direitos como cidadãos. Vocês são nobres por suas causas.
junho 28, 2009
Voltando…
Depois de tanto tempo afastado dos blogs, as idéias começam a voltar – assim como a inspiração para escrever. São tantas coisas que tenho visto ultimamente e pensado: isso vale uma postagem… mas quem disse que vim até aqui e pus em prática? Eis que hoje, nesse belo domingo de sol convidando para uma pedalada lá pelos confins da Lomba Grande, resolvo retomar o blog.
Os temas que gostaria de tratar hoje são muitos, o que infelizmente me impossibilita de falar sobre cada um deles com a atenção merecida. Mas vamos lá, vamos por partes.
- Tenho acompanhado através de blogs como o Vá de Bike a barbaridade que o governador de São Paulo, José Moto-Serra, tem autorizado a fazer: cortar todas as árvores da Marginal do Tietê para a construção de novas pistas para automóveis. Uma verdadeira lástima, símbolo do capitalismo selvagem. Quanto será que os responsáveis por essas obras não estão ganhando do lobby automobilístico? Lembre-se disso quando for escolher o futuro presidente da república, pois provavelmente o Moto-Serra irá concorrer. Enquanto uma coisa dessas acontece no Brasil, em Nova Iorque as avenidas são diminuídas para dar espaço à pedestres e ciclistas, e em Seul, vias expressas são derrubadas dando lugar à parques e um rio revitalizado.
- Assisti a dois documentários nos dois últimos dias: Zeitgeist e A Corporação (The Corporation). Não gosto quando vem alguém e me diz que a verdade absoluta é tal coisa, como faz o Zeitgeist, mas mesmo assim vale a pena assistir. Afinal, o propósito é simples: salvar o mundo das garras dos tiranos bancários que querem dominar o planeta – como muitos vilões de HQs que existem por aí – uma causa nobre, sem dúvida. Já o segundo, A Corporação, achei bem mais coerente e imparcial, mostrando opiniões até mesmo revoltantes, como a de que tudo oque há sobre a Terra deva ser privatizado (e o que acontece com empresas e governos que apóiam essa idéia). Conta com entrevistas de CEOs de grandes empresas, como Shell e Goodyear, além da presença de Michael Moore. Ótimo documentário. O Zeitgeist você pode ver aqui (legendado), já o Corporação, você encontra em sites de torrents, como o Making Off. Há ainda a opção de ver no YouTube (para quem dispensa legendas).
- Voltando à minha querida São Leopoldo agora, hoje é o dia excelente para iniciar um projeto que tenho em mente e pensado a respeito durante a última semana. Essa cidade, como muitos não devem saber, é o berço da colonização alemã no Brasil (embora a cultura germânica esteja bem mais difundida em outras regiões do país, como a serra gaúcha e catarinense). O problema é que hoje as cidades que não são tão grandes, como essa, com cerca de 200 mil habitantes, estão cada vez mais mutáveis. Nos últimos meses, pelo menos três prédios históricos do centro de São Leopoldo foram abaixo. Como a prefeitura simplesmente ignora os cidadãos revoltados com esses atos, resolvi pegar a máquina fotográfica e registar minha cidade, enquanto pedalo por suas ruas quase bicentenárias. Não apenas os prédios antigos, mas os novos também, pois tenho certeza de que, em cinco anos, muita coisa terá mudado. Como pode um povo que destrói seu passado esperar algo bom do futuro? Visite em breve http://saoleopoldoeraassim.wordpress.com. O nome e conteúdo do blog são inspirados em livro homônimo que, através de fotografias antigas, conta a história da cidade.
Por hora acho que é isso o que tenho a dizer… Na época do Volume no Dez, escrevi uma reportagem falando sobre o descaso dos órgãos públicos com o Largo Rui Porto. De alguns anos pra cá, aquele enorme espaço se tornou um terreno baldio que ganha vida apenas por 10 dias durante o ano, quando acontece a São Leopoldo Fest. Como excluí o Volume, terei que reescrever a reportagem, pois a Fest novamente se aproxima. Acredito ser este o tema da próxima postagem. Até.
maio 13, 2009
Educação, Atenção e Trânsito
Vovó já dizia: educação e caldo de galinha não fazem mal à ninguém. Estudos recentes confirmaram que o caldo faz mal sim, à galinha, mas isso não vem ao caso agora. No momento gostaria apenas de compartilhar minhas divagações depois de presenciar, no último sábado, o atropelamento de um ciclista por um automóvel lá aonde termina o bairro Feitoria, em São Leopoldo (RS). Felizmente não foi nada grave, o senhor que conduzia a bicicleta caiu por cima do capô do carro após bater com a roda dianteira. O carro estava em baixa velocidade, o que certamente evitou ferimentos mais graves.
Quero ressaltar, antes que o leitor ciclo-ativista xingue o condutor do automóvel, que o acidente só ocorreu porque o senhor da bicicleta não prestou devida atenção ao trânsito e invadiu a pista contrária. Digo isso porque o que leio por aí, às vezes, me passa a impressão de que o ciclista é sempre a vítima e o motorista é sempre o vilão (embora seja essa a realidade na maioria dos casos). É sabido que a bicicleta não é um caso especial de transporte só porque não é motorizada, como diz no código de trânsito brasileiro. Isso implica no ciclista possuir deveres e direitos – e de nada adianta exigir direitos sem antes cumprir os deveres.
Aqueles que já freqüentaram um centro de formação de condutores sabem (ou ao menos deveriam saber) o que significa o termo “direção defensiva”. Embasado nesse termo, posso dividir os ciclistas em duas categorias: os que têm ciência de sua participação no trânsito e os que não têm. O primeiro tipo é aquele que se preocupa com sua segurança e a do próximo, respeitando a sinalização, prestando atenção em tudo o que está em sua volta e por aí vai. Já o segundo, no qual se enquadra o senhor que foi atropelado, considera que a sinalização de trânsito está ali exclusivamente para veículos automotores, ou seja, ele não precisa se preocupar se o sinal está vermelho ou se está pedalando na contra-mão.
Recentemente outro ciclista foi atropelado aqui na cidade, mas infelizmente não teve a mesma sorte do senhor acima citado. No dia seguinte, li o depoimento do motorista no jornal. Ele dizia que o homem que conduzia a bicicleta mudou de faixa repentinamente sem olhar para trás. Como trafegava em uma rodovia onde a velocidade média é de 80 Km/h, não houve tempo para parar, ocasionando a fatalidade.
Se hoje a gangue do motor não respeita os ciclistas, em parte é porque o próprio ciclista não se dá o devido respeito. A internet é uma ferramenta excelente para a divulgação de informações, mas completamente inútil em certos casos: aquela pessoa que usa sua bicicleta diariamente para ir ao trabalho e não possui acesso à internet, como vai ter acesso à inciativas exemplares como a Escola de Bicicleta? Existe, no mundo inteiro, um movimento chamado Massa Crítica (no Brasil nós chamamos de Bicicletada), onde que, mensalmente, grupos de ciclistas se reunem para reivindicar seus direitos e mostrarem aos motoristas que as bicicletas também fazem parte do trânsito.
Existem normas no código brasileiro de trânsito que dizem, entre outras coisas, como deve ser feita a ultrapassagem de bicicleta, que é de 1,50m de distância e em velocidade reduzida. Embora a maioria dos motoristas sequer sabe da existência de tais normas, muitos são os que respeitam o ciclista (pelo menos por aqui). Se realmente houvesse o respeito mútuo, acidentes idiotas como este que presenciei não existiriam.
maio 6, 2009
maio 2, 2009
Café do Brasil
Na última quinta-feira estava ouvindo o podcast do Luciano Pires chamado Café Brasil. Confesso que alguns programas anteriores não tinham me chamado muito a atenção, mas este último, sobre a MPB, ouvi até o final. O Luciano tem uma palestra chamada Brasileiros Pocotó, na qual ele critia a influência que a grande mídia exerce sobre as pessoas, muitas vezes nos levando a gostar de coisas absurdas, como o nome da palestra sugere.
Dono de um ponto de vista radical, metendo o pau na música que hoje é consumida pela massa, o Luciano leva o ouvinte para uma viagem no tempo justamente pela música que sempre foi consumida pelo grande público. Até a década de 1990 ele consegue identificar poesia nas músicas. O problema é que, ao chegar nos anos 2000, temos a Eguinha Pocotó – nada poético, diga-se de passagem.
Não concordo nem discordo desse ponto de vista, muito pelo contrário!* A MPB é a música brasileira ouvida pela maiorida da população, por isso que é popular. Se essa música é ruim ou se há90 anos atrás tinha poesia e, por isso, era boa, não nos cabe julgar. Tudo no mundo evolui e acredito que esse tal de funk carioca retrata muito bem o caos em que a sociedade moderna vive. Os funkeiros do morro, por mais anti-musicais que sejam, demonstram isso melhor que John Cage.
Para meus ouvidos, preferiria que essa música permanecesse no local que é seu berço ao invés de invadir os porta-malas mundo à fora. E é graças à esta minha forma de pensar que hoje Noel Rosa é compositor de elite, de gente da grana que pode ir ao teatro e, por R$ 150, assistir o Chico Buarque cantando música sobre a parcela mais pobre da população. O Luciano que me desculpe, mas se essa MPB que ele tanto admira fosse mais acessível, possivelmente não estaríamos imersos em todo esse caos.
A inovação musical sempre esteve um passo à frente dentro dos aglomerados pobres das cidades. Em fins do século XIX e começo do XX, a elite ia para a ópera enquanto que o povão curtia um bom samba-canção. Hoje o velho samba já pode ser ouvido em estabelecimentos chiques. Será este o futuro do funk carioca?
Agora tem um ponto que preciso concordar com o Luciano Pires. Nunca a grande mídia emburreceu tanto a população como nos últimos anos. É ela, aliás, que manda no Brasil. Presidentes, governadores e prefeitos são meros fantoches de redes televisivas como a Globo e do lobby automobilístico. Criando novas necessidades essenciais para nossa sobrevivência, primeiro consumimos para só depois nos preocupar com a saúde do planeta.
Clique e ouça o podcast Café Brasil – Eme Pê Bê, por Luciano Pires.
* – Uma frase bem-humorada do amigo João Gabriel
abril 28, 2009
Volume no Onze
Eu bem que tentei ficar um tempo longe dos blogs, inclusive excluí completamente o Volume no Dez… Mas não deu pra ficar afastado completamente da blogosfera. O nome dessa casa nova, além de lembrar a palavra “abusado”, é uma referência à música do Guinga, do Noturno Copacabana – discasso!
Não posso prometer nada sobre o conteúdo que o leitor encontrará por aqui, aliás, nunca fui fiel às minhas promessas bloguísticas. Pretendo apenas reescrever alguns textos que julgo terem importância para nossa região do Vale do Sinos, nada mais. O Volume no Dez foi fechado porque acabei desviando meus textos do propósito original, que era a arte. Aqui, admito desde agora, serei mais abrangente, ou seja, nada diferente do que o Volume era antes de seu suspiro final.
Pra começar, deixo um video que vi no Blog de Ecologia Urbana.

































