Abluesado

Outubro 15, 2009

Sobre mudanças climáticas: uma reflexão

Arquivado em: Educação, Internet — Tags:, , — volumenodez @ 13:03

Dia 15 de outubro é o Blog Action Day, uma ação promovida entre blogueiros do mundo inteiro na qual todos escrevem sobre um determinado assunto. Neste ano, a pauta são as mudanças climáticas e aqui deixo minha colaboração. Faço uma breve reflexão sobre os motivos de continuarmos caminhando rumo à beira do abismo, mesmo com cada vez mais campanhas pró-meio ambiente e todo o espaço na mídia que tem sido dedicado ao assunto. Foco-me em dois pontos: transportes – por que insistimos na sustentabilidade de dentro de nossos carros, presos no engarrafamento? – e alimentação – por que não repensamos nossos hábitos alimentares? Boa parte do desmatamento da Amazônia ocorre para que exista mais espaço para a criação de gado. Este último ficará para um segundo post.

O assunto “mudanças climáticas” já está meio batido, na moda. Todos falam sobre aquecimento global e até uma das maiores redes de supermercados do mundo, a Wal*Mart, distribui aqui no Brasil suas sacolinhas ecológicas. Sinal de que os tempos estão mudando, mas a pergunta de sempre permanece: o quão a sério a sociedade está levando esse assunto? Ao dar uma olhada em volta, vejo que não muito.

Não sei se é algo exclusivo da cultura brasileira, onde que quem prega determinado pensamento nem sempre o cumpre à risca. Hipocrisia sim,  mas creio que todos temos um pouco disso. Viajando um pouco sobre o assunto ‘verde’, na qual grandes potências do mundo capitalista baseiam suas propagandas para venderem seus produtos “ecologicamente corretos”, é onde percebo a maior picaretagem de todas.

Vou pegar o exemplo do carro elétrico, visto por muitos como um messias que está chegando para nos salvar do apocalipse. Um automóvel desses, concluído, pode não gerar diretamente toda a poluição que um carro convencional emite, mas indiretamente, é tão poluidor quanto… se não mais. No Brasil, a maior parte da energia elétrica é proveniente de usinas hidrelétricas. Muitos podem pensar que esta é uma forma de geração limpa de energia, pois seu recurso – água – é praticamente ilimitado e tudo o que tem que ser feito é utilizar sua força para girar algumas turbinas. Mas um estudo recente mostra que hidrelétricas podem ser mais poluentes do que as termelétricas. Depois ainda temos tudo o que envolve a construção de um carro elétrico, um processo poluente sem sombra de dúvidas. Em poucas palavras, um carro só será verde se assim for pintado.

Há também todas aquelas parafernálias que utilizamos no dia-a-dia, tudo o que é descartável e desnecessário para a vida. Num mundo onde a população cresce aos bilhões, o correto seria que dispensássemos tudo o que não é essencial à vida: computadores pessoais, telefones celulares, aparelhos de TV, mais que uma muda de roupa… Mas se bem conheço o ser-humano (só pra lembrar que não sou um ET), a busca pela sustentabilidade não deve internefir em todos os confortos conquistados por nossa espécie através dos séculos – o caminho mais difícil, devo admitir. Então o que fazer para evitar que as mudanças climáticas em decorrência da mão do homem se agravem ainda mais? Em primeiro lugar, consciência.

Ter consciência da nossa situação já é meio caminho andado. O problema é que não falta consciência para as pessoas, falta vontade. O brasileiro (tanto povo quanto governo) sabe que o uso indiscriminado do automóvel como meio de transporte diário é prejudicial ao meio ambiente e à saúde da população, mas o que é feito sobre isso? No último dia mundial sem carro, evento que ocorre anualmente em 22 de setembro, os engarrafamentos não diminuiram no Brasil. Poucos foram os que tiveram coragem de deixar o carro na garagem e enfrentar o transporte público ou uma caminhada. Embora mais e mais pessoas estejam tomando consciência da nossa situação perante o planeta, nada disso ainda basta para que todos os estragos já cometidos pela raça humana sejam revertidos.

O triste é saber que enquanto a sociedade for dominada pelo mundo capitalista, esse quadro não irá se reverter. Para os poucos que mandam e desmandam nas grandes corporações, o bolso vale mais que o planeta. Termino com aquela famosa frase:

Somente quando for cortada a última árvore, pescado o último peixe, poluído o último rio, é que as pessoas vão perceber que não podem comer dinheiro.

Logo mais, mais uma reflexão sobre o impacto da nossa alimentação no meio ambiente.

Outubro 12, 2009

Tudo do avesso

Arquivado em: Educação, Esportes, Mobilidade — Tags:, — volumenodez @ 10:45

Ia começar falando da vitória da seleção brasileira de futebol sub-20 sobre a Alemanha, no sábado. Uma vitória bonita de se ver. Mudei de idéia, pois lembrei de um trecho do Um Certo Capitão Rodrigo em que o Pe. Lara pergunta ao primeiro como ele faria o mundo. O Cap. responde que faria um mundo onde os homens não precisassem trabalhar, onde as mulheres sofreriam menos na hora do parto e que as guerras jamais acabassem, pois afinal, era diversão. O Pe. então o questiona sobre esse ponto de vista e diz que o mundo seria uma bagunça desse jeito. Rodrigo apenas responde que o mundo já é uma bagunça.

2014 está aí e logo depois vem 2016, dois anos que certamente entrarão para a história do Brasil. Talvez até para a história do esporte mundial pois, se não estou enganado, nunca antes um país sediou uma Copa do Mundo de futebol e uma Olimpíada numa tacada só. E enquanto uns dizem que existem coisas mais importantes para investir com o dinheiro dos impostos, como educação, saúde e moradia, outros comoram essa façanha do país de terceiro mundo, como exalta Fidel Castro aqui – e tantos outros que superfatutarão com as obras que estão por vir. Não sejamos ingênuos, estamos no Brasil.

Antes de manifestar qualquer opinião (embora o título já dê uma dica), gostaria de expôr mais alguns fatos. Sou um leitor assíduo da revista Bike Action e uma coluna que gosto muito é a Hora do Blush, escrita pela atleta e publicitária Andrea Marcellini. Ao ler essa coluna na última edição da revista, apenas relembrei o quanto nosso país está atrasado em certos aspectos. Só pra deixar o leitor à par do que estou pensando, imagine-se viajando num trem de alta velocidade, de Porto Alegre à Belo Horizonte. Ou então, caso o leitor more em São Leopoldo e estude na PUC-RS, que maravilha não seria ir todos os dias de bicicleta para a faculdade, sem se encomodar em deixa-la no trem? Existem lugares no mundo em que isso é possível. A Andrea conta um pouco sobre sua estadia na Suíça, trabalhando na UCI – União Internacional de Ciclismo.

Organizar um evento gigantesco, seja uma Copa do Mundo ou uma Olimpíada, exige gastos gigantescos. Por um lado isso me entristesse, pois sei que quem vai mexer com toda essa grana são pessoas (em sua maioria) corruptas. Também existe o fato de que boa parte dos complexos desportivos provavelmente não serão utilizados em sua capacidade máxima após o término das Olimpíadas. Vide o que aconteceu após o Pan de 2007. Arcar com toda essa extravagância é demais para um país como o Brasil, onde uma parcela considerável da população vive em extrema pobreza e sobrevive com um bolsa-esmola qualquer, não tem educação de qualidade (convém deixar o povo burro, afinal) e nem saúde.

Mas também não posso me posicionar contra. Existe o sonho de que, com a realização das Olimpíadas, deixemos de ser somente o país do futebol para nos tornarmos o país da natação, do atletismo, ciclismo… Potencial e competência nós temos, mas falta o tal do investimento (seja ele na forma de patrocínios ou repercussão midiática), hoje focado basicamente no futebol.

Há também a esperança de que tudo isso mude um pouco a mentalidade da nossa sociedade, que hoje é tão dependente de coisas supérfluas e insustentável. Como explica o engenheiro civil Luis Antônio Lindau nessa entrevista, o Brasil está mergulhado na cultura do transporte individual motorizado. Com a tarefa de ter que se adequar aos padrões internacionais para que realize com sucesso a copa e as olimpíadas, certamente veremos obras direcionadas ao transporte público nas principais cidades brasileiras. Que os responsáveis por tais obras tragam algo de bom do velho continente, não somente suas marcas e sua filosofia do descartável.

Ps.: leia a entrevista com o Luis Lindau.

Agosto 24, 2009

Belchior na natureza selvagem

Arquivado em: Uncategorized — Tags: — volumenodez @ 23:48

Quem nunca pensou em sumir do mapa que atire a primeira pedra. Todos passamos por tristezas, algum tipo de decepção… algo que nos exija um retiro espiritual para nos recompor e voltar a encarar o mundo de frente. Ninguém vive num poço de felicidade a vida inteira. Muitos podem até não admitir, mas garanto que no mais íntimo de cada um existe essa vontade.

Alguns levam essa vontade realmente a sério. Somem. Quantos casos de desaparecimento não devem haver por aí simplesmente porque a pessoa cansou e resolveu dar um tempo a si mesma? Preocupação de amigos e parentes à parte, acredito que isso seja essencial para a sanidade de cada um (embora sumir seja considerado algo “insano” – pelos insanos). Não é à toa que a maioria das religiões (se não todas) creem que esses retiros façam bem ao espírito. Estar sozinho, onde quer que seja, é como colocar um espelho na nossa frente. Não para enxergar essa imagem de carne e osso, mas a alma.

Ernesto Nazareth teve seu retiro ao fim de sua vida. Chris McCandless, que inspira o título desse texto, idem. Belchior, que hoje é notícia pela internet… Este último certamente está passando por bons momentos. E tantos, quantos outros?

Sair para o mundo, antes de qualquer coisa, significa uma ânsia por novos horizontes ou simplesmente querer reencontrar-se. Quantas vezes não fazemos coisas pra depois pensar “esse não sou eu”? Creio veementemente que nessas horas os olhos devem estar voltados para dentro de nós mesmos, não para fora.

Numa perspectiva bem pessoal, ando sentindo uma falta enorme de ter esse tempo pra mim. Penso em dedicar as férias que estão por vir às viagens sobre a bicicleta, calada companheira de tombos e emoções. E o legal de tudo isso é o “aconteça o que acontecer, lá vou eu”! Ser um ciclista anônimo numa cidadezinha qualquer do interior, banhado pelo pó da estrada e a bênção do Zé Rodrix. Sem celular, computador ou qualquer outra coisa que me conecte ao mundo exterior. A conexão que busco é com o interior.

Esses fujões viajantes me inspiram profundamente.

Agosto 11, 2009

Pano Escarlate

Arquivado em: Música — Tags:, , — volumenodez @ 13:54

Os créditos e agradecimentos pela filmagem vão para a Nina Zagonel. Obrigado!

Julho 21, 2009

Whisky

Arquivado em: Cinema — Tags:, — volumenodez @ 23:04

Julho 8, 2009

Sobre artistas e piratas

Arquivado em: Educação, Internet — Tags:, , , — volumenodez @ 12:10

Esse post não é exatamente uma resposta, mas não fosse o Hiperfície, não estaria aqui escrevendo.

Na próxima sexta-feira, 10 de julho, o PL dos cibercrimes (AI-5 Digital) vai fazer um ano que está de volta à Câmara dos Deputados. Não bastasse isso, o Bispo Gê também entrou na onda. E agora, quem poderá nos defender? Ora bolas, o Partido Pirata, é claro!

Pára tudo! Toda essa questão de defender a liberdade na internet, o livre compartilhamento de cultura e conhecimento versus políticos malvados que apóiam o velho modelo de distribuição, pelo que vejo, não está buscando beneficiar quem realmente precisa: as pessoas que produzem o tão cobiçado e precioso conteúdo. Entre um blog e outro, um projeto de lei e outro, visualizo uma disputa de cabo-de-força. De um lado estão os políticos e gravadoras, do outro, os defensores da liberdade. Como a grande maioria dos textos que leio por aí se posicionam ou numa extremidade dessa corda ou de outra, gostaria de falar aqui não como uma pessoa que simpatiza com o movimento do software livre e tudo o que ele defende, mas como músico – afinal, com o disco que gravamos em abril, não pretendemos nem dar nossos possíveis lucros às gravadoras mas também não podemos abrir mão do que nos é de direito.

Começo com duas perguntas bem simples: você, leitor, já ouviu falar de um tal de Michael Jackson? E Júlio Reny, já ouviu falar? Pois é aí que começa a incoerência. Quem defende a livre troca de conteúdo na internet não faz distinção alguma entre aquele cara  que morou numa mansão de milhões de dólares e é enterrado num caixão de ouro e aquele outro que, não menos competente, depende da venda de seus discos e seus shows para levar uma vida digna. Para o sr. Jackson, ter mil cópias de seu disco baixado da internet talvez não faça diferença alguma,  mas para outros isso faz, e muita! E se Michael Jackson hoje é a pessoa que mais vendeu discos no mundo, isso se deu graças à promoção de seu trabalho por parte da gravadora. Ela lucrou com isso? Claro! O artista deixou de ganhar? Claro que não! Caso me perguntarem se hoje, após a morte do “rei do pop” a gravadora precisa continuar ganhando…. digo que não.

Um argumento muito utilizado por quem gosta de baixar músicas da internet é que isso ajuda na divulgação das bandas. E ajuda mesmo! Se não fosse a internet, muitas bandas que hoje alcançaram o sucesso jamais o teriam feito se ainda dependessem das velhas fitas K-7 empilhadas nas mesas dos “caça-talentos” de grandes gravadoras. E graças a divulgação, mais pessoas vão aos shows, o que significa retorno financeiro para o artista. Já me aconteceu de só ir ao show de uma banda porque tive a oportunidade de ouvir uma música antes, de forma gratuíta, na internet. Esse é o benefício da livre troca de conteúdo digital.

Mas, como nem tudo são flores, a internet traz seus malefícios também. Existe aquele tipo de usuário que baixa por baixar, só pra dizer depois que tem trocentos gigas de mp3 no computador, e esses eu desconsidero pois não representam uma ameaça. Mas aquele indivíduo que baixa só  o que quer ouvir (aquela pessoa que realmente consome música), não compra disco algum e ainda esbraveja por aí “não ao AI-5 digital” enquanto deixa o cliente torrent fervendo, é bem o tipinho de gente sem nenhum escrúpulo. Afinal, o que há de tão malévolo em acessar uma loja virtual (não precisa nem tirar a bunda da cadeira) e comprar o material daquele artista tão admirado? O CD chega em poucos dias com encarte bem feito, com informações que normalmente não estão disponíveis naquele “.rar” e, se cair um raio e o HD for pro saco, as músicas não serão perdidas. Ok, há quem argumente que alguns discos já se encontram fora de catálogo e a única forma de obte-los é baixando da internet. Nesse caso não creio que haja algum problema. Mais, acho isso até justo, pois alguém não pode se privar de ter determinado conteúdo só porque a produtora resolveu não investir mais no artista (mas se achar o velho e raro LP numa lojinha de discos usados, não pense duas vezes antes de comprar!).

Então pra finalizar… enquanto políticos, gravadoras e consumidores não acharem um meio termo, essa batalha vai continuar e quem vai continuar bancando o pato será o artista. Tipo, se usuário se dispõe a pagar o preço de um computador, pagar a luz e uma internet banda-larga, vai lá e compra o disco do cara, pô! Não sejamos medíocres. Muito se fala que deve ser inventada uma nova forma de distribuição de conteúdo digital para que todos os lados saiam ganhando: consumidor baixando tudo de graça e artista ganhando. Eu já acredito que isso pode ser benéfico mas não indispensável, contanto que todos façam uso do caráter que dizem ter – ou alguém aqui se considera um mau-caráter?

Ah, e antes que me perguntem: sim, eu compro discos (CDs e LPs), de Beatles a Roberto Corrêa. E sim, eu baixo música da internet. E, novamente, sim, eu trabalho com música.

Uma rápida atualização:

Depois de ler novamente o que está escrito lá no Hiperfície, descobri que estou levando certas coisas em consideração ao expôr minhas idéias, ao passo  que o Rená está considerando outras coisas. Bem, toda essa cultura de Creative Commons é realmente explêndida. Se levarmos em consideração que as leis atuais de copyright proibem o punk de tocar Raul Seixas na praça da cidade com seu violão desafinado, o CC é uma bênção. Acho que eu estava levando tudo para um lado muito comercial (capitalista). O detalhe é que o capitalismo é a nossa realidade hoje e se todo bem produzido for licenciado com um CC-Share Alike, estaremos entrando no tão famoso comunismo utópico. E acredito que continuará sendo utópico – pelo menos até meus dias sobre essa terra se acabarem…

Havia esquecido também que, segundo as leis atuais, eu não posso colocar pra tocar meus discos numa festa, emprestar o CD daquele artista que gosto para um amigo, assim como não posso ouvir um trabalho antes de decidir compra-lo ou não. Nesse ponto, toda aquela cultura de colaboração tem meu total apoio… mas continuo defendendo que o artista (um trabalhador), deve receber por seu trabalho. Afinal, não foi nos dois últimos parágrafos que o capitalismo morreu.

Abraço!

Julho 7, 2009

Le Tour no País do Futebol

Arquivado em: Esportes — Tags:, , , , , — volumenodez @ 14:03

A Volta da França, que em 2009 completa 106 anos de tradição, é o evento esportivo com a terceira maior audiência do mundo: perde apenas para a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Fato aceitável este, mas essa omissão por parte da mídia esportiva brasileira é inadmissível.

Primeiro porque no Brasil esporte é sinônimo de futebol ou corridas de automóvel (não é à toa que boa parte dos brasileiros possui a camisa de algum clube de futebol ou um automóvel – quando não ambos). Tudo o que foge disso não merece respeito algum. Pegando como exemplo o caso do Diego Hipólito, um dos maiores ginastas que o país já viu. Seu clube, o Flamengo, tem o costume de atrasar seu salário, mas não o do atacante Adriano. Aliás, o clube parece não se importar muito quando este vai curtir uma balada até o amanhecer e simplesmente não aparece no treino. César Cielo, um dos únicos que trouxe a medalha de outro para o Brasil dos jogos de Pequim, tem que treinar nos Estados Unidos porque aqui ele não tem as mesmas condições de treino que as maiores potências da natação têm. Mas trouxe o ouro assim mesmo.

Corporativismo, eis a palavra. Enquanto redes de televisão do mundo inteiro transmitem a Volta da França, com suas paisagens espetaculares e não menos emocionante que uma final de campeonato de futebol, tenho que me contentar com uma rede de televisão passando a Stock Car num domingo de manhã, empurrando marcas e mais marcas de automóveis para que eu seja mais um “feliz” comprador de um produto praticamente descartável, altamente poluente e individualista.

Não é nem tanto a questão do que a mídia transmite, mas o que mandam ela transmitir. Se marcas como Specialized, Scott, Merida ou Trek (você já ouviu falar de alguma delas?) fossem tão fortes no Brasil quanto Chevrolet, Ford, Volkswagen ou Peugeot (essas você conhece, né?), talvez teríamos um Tour em horário nobre. Mas, quando lá nos idos da década de 1950 as portas do país foram abertas para a indústria automotiva, iniciou-se uma relação de afeto muito grande entre homem e motor. Muitos países (os ditos ‘desenvolvidos’) já estão deixando esse velho modelo de lado… mas não o Brasil, teimoso como uma mula… como sempre.

O fato que é outros esportes não são deixados em segundo plano porque eles simplesmente não estão nos planos! Quando muito, passa um jogo de vôlei, basquete ou, mais raro, uma maratona… desde que isso não atrapalhe uma corrida ou partida de futebol, óbvio!  Inclusive a ESPN, única emissora brasileira a transmitir o Tour desse ano, não parava de falar em Fórmula 1 durante a primeira etapa, que foi realizada, em parte, no circuito da F1 de Mônaco. Fique com os quilômetros finais da 2ª etapa do tour, que ocorreu no último domingo pela manhã enquanto o Brasil inteiro assistia a Stock Car.

Update via UOL Esportes: conhecendo o trajeto do Tour de France 2009

Junho 29, 2009

A Educação… no México

O video que vocês acabaram de assistir veio até mim por e-mail através da Elis Brás, uma leopoldense que está morando em Puebla, no México. Segue o texto do e-mail, assim como o recebi:

Amigos,

Escrevo para dividir com todos e cada um de vocês este documentário no qual estive trabalhando nos últimos tempos em parceria com o Apollo Colectivo. O documentário trata da repressão exercida pelo governo de Puebla, México (cidade onde vivo), sobre um grupo de professores que se manifestavam contra a Alianza por la Calidad Educativa, que é uma proposta de privatização da educação no país.
A presidente do sindicato de maestros, Elba Esther Gordillo, é a favor desta implementação. Por todo o país professores em discordância formam novos sindicatos e se organizam para derrubar a proposta além de outras reivindicações.
O México vive muitos conflitos sociais, um Estado pouco legitimado pelo povo e de muita repressão. Histórias de desaparecimento forçado e tortura são comuns em todos pueblos indígenas. São centenas de presos políticos e diversas irregularidades que se extremam pela violação dos direitos humanos dos povos oprimidos.

http://apollocolectivo.blip.tv/file/2295299/

Espero por suas críticas e desde já, agradeço por ajudarem a difundir este vídeo. (duração 10min)

Façamos uma corrente para denunciar os abusos vividos na América Latina.

Abraços de paz

É inadmissível que toda a educação de um país seja privatizada. Lembram que no post anterior falei sobre uma opinião, através do documentário A Corporação, de um CEO que defende que tudo no mundo deva ser privatizado? Há alguns anos atrás (realmente não sei se durante o atual governo do Evo Morales ou antes) tentaram privatizar a água (inclusive a da chuva!) em uma região da Bolívia. O que aconteceu? Exatamente o mesmo que este documentário mostrou: o povo foi às ruas, houveram diversos conflitos (com vítimas fatais), mas a maioria venceu – sob o velho e conhecido lema “O povo unido jamais será vencido”.

Parabenizo todas as pessoas que trabalharam em conjunto neste documentário, assim como todos aqueles que foram às ruas reclamar seus direitos como cidadãos. Vocês são nobres por suas causas.

Junho 28, 2009

Voltando…

Arquivado em: Diversos — Tags:, , , — volumenodez @ 16:25

Depois de tanto tempo afastado dos blogs, as idéias começam a voltar – assim como a inspiração para escrever. São tantas coisas que tenho visto ultimamente e pensado: isso vale uma postagem… mas quem disse que vim até aqui e pus em prática? Eis que hoje, nesse belo domingo de sol convidando para uma pedalada lá pelos confins da Lomba Grande, resolvo retomar o blog.

Os temas que gostaria de tratar hoje são muitos, o que infelizmente me impossibilita de falar sobre cada um deles com a atenção merecida. Mas vamos lá, vamos por partes.

  • Tenho acompanhado através de blogs como o Vá de Bike a barbaridade que o governador de São Paulo, José Moto-Serra, tem autorizado a fazer: cortar todas as árvores da Marginal do Tietê para a construção de novas pistas para automóveis. Uma verdadeira lástima, símbolo do capitalismo selvagem. Quanto será que os responsáveis por essas obras não estão ganhando do lobby automobilístico? Lembre-se disso quando for escolher o futuro presidente da república, pois provavelmente o Moto-Serra irá concorrer. Enquanto uma coisa dessas acontece no Brasil, em Nova Iorque as avenidas são diminuídas para dar espaço à pedestres e ciclistas, e em Seul, vias expressas são derrubadas dando lugar à parques e um rio revitalizado.
  • Assisti a dois documentários nos dois últimos dias: Zeitgeist e A Corporação (The Corporation). Não gosto quando vem alguém e me diz que a verdade absoluta é tal coisa, como faz o Zeitgeist, mas mesmo assim vale a pena assistir. Afinal, o propósito é simples: salvar o mundo das garras dos tiranos bancários que querem dominar o planeta – como muitos vilões de HQs que existem por aí – uma causa nobre, sem dúvida. Já o segundo, A Corporação, achei bem mais coerente e imparcial, mostrando opiniões até mesmo revoltantes, como a de que tudo oque há sobre a Terra deva ser privatizado (e o que acontece com empresas e governos que apóiam essa idéia). Conta com entrevistas de CEOs de grandes empresas, como Shell e Goodyear, além da presença de Michael Moore. Ótimo documentário. O Zeitgeist você pode ver aqui (legendado), já o Corporação, você encontra em sites de torrents, como o Making Off. Há ainda a opção de ver no YouTube (para quem dispensa legendas).
  • Voltando à minha querida São Leopoldo agora, hoje é o dia excelente para iniciar um projeto que tenho em mente e pensado a respeito durante a última semana. Essa cidade, como muitos não devem saber, é o berço da colonização alemã no Brasil (embora a cultura germânica esteja bem mais difundida em outras regiões do país, como a serra gaúcha e catarinense). O problema é que hoje as cidades que não são tão grandes, como essa, com cerca de 200 mil habitantes, estão cada vez mais mutáveis. Nos últimos meses, pelo menos três prédios históricos do centro de São Leopoldo foram abaixo. Como a prefeitura simplesmente ignora os cidadãos revoltados com esses atos, resolvi pegar a máquina fotográfica e registar minha cidade, enquanto pedalo por suas ruas quase bicentenárias. Não apenas os prédios antigos, mas os novos também, pois tenho certeza de que, em cinco anos, muita coisa terá mudado. Como pode um povo que destrói seu passado esperar algo bom do futuro? Visite em breve http://saoleopoldoeraassim.wordpress.com. O nome e conteúdo do blog são inspirados em livro homônimo que, através de fotografias antigas, conta a história da cidade.

Por hora acho que é isso o que tenho a dizer… Na época do Volume no Dez, escrevi uma reportagem falando sobre o descaso dos órgãos públicos com o Largo Rui Porto. De alguns anos pra cá, aquele enorme espaço se tornou um terreno baldio que ganha vida apenas por 10 dias durante o ano, quando acontece a São Leopoldo Fest. Como excluí o Volume, terei que reescrever a reportagem, pois a Fest novamente se aproxima. Acredito ser este o tema da próxima postagem. Até.

Maio 13, 2009

Educação, Atenção e Trânsito

Arquivado em: Mobilidade — Tags:, , , — volumenodez @ 13:49

Vovó já dizia: educação e caldo de galinha não fazem mal à ninguém. Estudos recentes confirmaram que o caldo faz mal sim, à galinha, mas isso não vem ao caso agora. No momento gostaria apenas de compartilhar minhas divagações depois de presenciar, no último sábado, o atropelamento de um ciclista por um automóvel lá aonde termina o bairro Feitoria, em São Leopoldo (RS). Felizmente não foi nada grave, o senhor que conduzia a bicicleta caiu por cima do capô do carro após bater com a roda dianteira. O carro estava em baixa velocidade, o que certamente evitou ferimentos mais graves.

Quero ressaltar, antes que o leitor ciclo-ativista xingue o condutor do automóvel, que o acidente só ocorreu porque o senhor da bicicleta não prestou devida atenção ao trânsito e invadiu a pista contrária. Digo isso porque o que leio por aí, às vezes, me passa a impressão de que o ciclista é sempre a vítima e o motorista é sempre o vilão (embora seja essa a realidade na maioria dos casos). É sabido que a bicicleta não é um caso especial de transporte só porque não é motorizada, como diz no código de trânsito brasileiro. Isso implica no ciclista possuir deveres e direitos – e de nada adianta exigir direitos sem antes cumprir os deveres.

Aqueles que já freqüentaram um centro de formação de condutores sabem (ou ao menos deveriam saber) o que significa o termo “direção defensiva”. Embasado nesse termo, posso dividir os ciclistas em duas categorias: os que têm ciência de sua participação no trânsito e os que não têm. O primeiro tipo é aquele que se preocupa com sua segurança e a do próximo, respeitando a sinalização, prestando atenção em tudo o que está em sua volta e por aí vai. Já o segundo, no qual se enquadra o senhor que foi atropelado, considera que a sinalização de trânsito está ali exclusivamente para veículos automotores, ou seja, ele não precisa se preocupar se o sinal está vermelho ou se está pedalando na contra-mão.

Recentemente outro ciclista foi atropelado aqui na cidade, mas infelizmente não teve a mesma sorte  do senhor acima citado. No dia seguinte, li o depoimento do motorista no jornal. Ele dizia que o homem que conduzia a bicicleta mudou de faixa repentinamente sem olhar para trás. Como trafegava em uma rodovia onde a velocidade média é de 80 Km/h, não houve tempo para parar, ocasionando a fatalidade.

Se hoje a gangue do motor não respeita os ciclistas, em parte é porque o próprio ciclista não se dá o devido respeito. A internet é uma ferramenta excelente para a divulgação de informações, mas completamente inútil em certos casos: aquela pessoa que usa sua bicicleta diariamente para ir ao trabalho e não possui acesso à internet, como vai ter acesso à inciativas exemplares como a Escola de Bicicleta? Existe, no mundo inteiro, um movimento chamado Massa Crítica (no Brasil nós chamamos de Bicicletada), onde que, mensalmente, grupos de ciclistas se reunem para reivindicar seus direitos e mostrarem aos motoristas que as bicicletas também fazem parte do trânsito.

Existem normas no código brasileiro de trânsito que dizem, entre outras coisas, como deve ser feita a ultrapassagem de bicicleta, que é de 1,50m de distância e em velocidade reduzida. Embora a maioria dos motoristas sequer sabe da existência de tais normas, muitos são os que respeitam o ciclista (pelo menos por aqui). Se realmente houvesse o respeito mútuo, acidentes idiotas como este que presenciei não existiriam.

Maio 6, 2009

Aperitivo do Art & Bar

Arquivado em: Música — Tags:, , , , — volumenodez @ 23:10

No último sete de abril gravamos o disco ao vivo. Digo “gravamos” porque somos uma banda, a banda que acompanha o compositor Luciano Alves. Neste texto falo por mim.

Depois de uma quase exaustiva maratona de ensaios, finalmente nos deparamos com a tão esperada noite… e que agradável foi aquela noite! Em plena terça-feira conseguimos fazer com que o lugar fosse ocupado quase que completamente por espectadores. Tudo bem que o bar é pequeno, mas foi justamente seu tamanho que tornou o ambiente tão aconchegante – para nós e para o público, acredito.

E quando a coisa flui, nem dá pra acreditar quando o trabalho da noite já acabou. Na hora, pensei, estava tudo acertado. Hoje, faltando apenas quatro para o primeiro mês de aniversário de nossa gravação, é que recebo a feliz notícia de que já temos uma pequena prova do que ainda será lançado.

Luciano Alves & Banda no Teatro Municipal de São Leopoldo - 14 de novembro de 2008

Luciano Alves & Banda no Teatro Municipal de São Leopoldo - 14 de novembro de 2008

O Luciano postou no MySpace as três primeiras músicas que estão com seu processo de mixagem finalizado, acredito eu. Admito que a qualidade da gravação não é das melhores, talvez por causa do ambiente, ou então por causa do equipamento… sinceramente não sei dizer.

O que realmente quero com este post é convidar o leitor a ouvir nossas três primeiras canções. São elas: Seres Humanos, Assim que a gente vai e Tempestade com um Copo D’água.

Todas elas podem ser conferidas no seguinte endereço: http://www.myspace.com/lucianoalves. A gravação foi realizada, como já disse, no dia sete de abril deste 2009 no Art & Bar em Porto Alegre, mesmo sendo todos os integrantes da banda capilés de nascimento. E falando nela, somos: Marcelo Scherer (que também tem os Melomaníacos) na bateria, Daniel Mossmann (que também tem a Pata de Elefante) na guitarra e eu, Zeca Baronio, no contrabaixo. Claro, não dá pra esquecer do mentor de todo este trabalho, o cantor, violonista, gaitista e compositor Luciano Alves.

Maio 2, 2009

Café do Brasil

Arquivado em: Música, Podcast — Tags:, , , — volumenodez @ 17:26

Na última quinta-feira estava ouvindo o podcast do Luciano Pires chamado Café Brasil. Confesso que alguns programas anteriores não tinham me chamado muito a atenção, mas este último, sobre a MPB, ouvi até o final. O Luciano tem uma palestra chamada Brasileiros Pocotó, na qual ele critia a influência que a grande mídia exerce sobre as pessoas, muitas vezes nos levando a gostar de coisas absurdas, como o nome da palestra sugere.

Dono de um ponto de vista radical, metendo o pau na música que hoje é consumida pela massa, o Luciano leva o ouvinte para uma viagem no tempo justamente pela música que sempre foi consumida pelo grande público. Até a década de 1990 ele consegue identificar poesia nas músicas. O problema é que, ao chegar nos anos 2000, temos a Eguinha Pocotó – nada poético, diga-se de passagem.

Não concordo nem discordo desse ponto de vista, muito pelo contrário!* A MPB é a música brasileira ouvida pela maiorida da população, por isso que é popular. Se essa música é ruim ou se há90 anos atrás tinha poesia e, por isso, era boa, não nos cabe julgar. Tudo no mundo evolui e acredito que esse tal de funk carioca retrata muito bem o caos em que a sociedade moderna vive. Os funkeiros do morro, por mais anti-musicais que sejam, demonstram isso melhor que John Cage.

Para meus ouvidos, preferiria que essa música permanecesse no local que é seu berço ao invés de invadir os porta-malas mundo à fora. E é graças à esta minha forma de pensar que hoje Noel Rosa é compositor de elite, de gente da grana que pode ir ao teatro e, por R$ 150, assistir o Chico Buarque cantando música sobre a parcela mais pobre da população. O Luciano que me desculpe, mas se essa MPB que ele tanto admira fosse mais acessível, possivelmente não estaríamos imersos em todo esse caos.

A inovação musical sempre esteve um passo à frente dentro dos aglomerados pobres das cidades. Em fins do século XIX e começo do XX, a elite ia para a ópera enquanto que o povão curtia um bom samba-canção. Hoje o velho samba já pode ser ouvido em estabelecimentos chiques. Será este o futuro do funk carioca?

Agora tem um ponto que preciso concordar com o Luciano Pires. Nunca a grande mídia emburreceu tanto a população como nos últimos anos. É ela, aliás, que manda no Brasil. Presidentes, governadores e prefeitos são meros fantoches de redes televisivas como a Globo e do lobby automobilístico. Criando novas necessidades essenciais para nossa sobrevivência, primeiro consumimos para só depois nos preocupar com a saúde do planeta.

Clique e ouça o podcast Café Brasil – Eme Pê Bê, por Luciano Pires.

* – Uma frase bem-humorada do amigo João Gabriel

Abril 28, 2009

Volume no Onze

Arquivado em: Uncategorized — Tags:, , , — volumenodez @ 15:49

Eu bem que tentei ficar um tempo longe dos blogs, inclusive excluí completamente o Volume no Dez… Mas não deu pra ficar afastado completamente da blogosfera. O nome dessa casa nova, além de lembrar a palavra “abusado”, é uma referência à música do Guinga, do Noturno Copacabana – discasso!

Não posso prometer nada sobre o conteúdo que o leitor encontrará por aqui, aliás, nunca fui fiel às minhas promessas bloguísticas. Pretendo apenas reescrever alguns textos que julgo terem importância para nossa região do Vale do Sinos, nada mais. O Volume no Dez foi fechado porque acabei desviando meus textos do propósito original, que era a arte. Aqui, admito desde agora, serei mais abrangente, ou seja, nada diferente do que o Volume era antes de seu suspiro final.

Pra começar, deixo um video que vi no Blog de Ecologia Urbana.

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